20 de abril de 2021 09h59

A beleza e o mundo das ideias

O meio influencia o tipo de imagem corporal e de condutas projetadas ao nosso mundo das ideias, bem como suas metamorfoses programadas ao longo do que é esperado da mulher a cada idade alcançada.

O corpo e a mente passam a ser um templo regido por seres forasteiros, que se comunicam com línguas irreconhecíveis, e gerenciam nossa tela mental, o que estabelece uma barreira ao autoconhecimento e à autonomia quanto ao desejo intrínseco de zelar por sua integridade e escolhas.

O que não faltam são padrões esperados a serem seguidos quando somos mulheres, desde o primeiro choro somos taxadas como princesas, decretadas como representantes da cor rosa, o modo de andar, sentar, pensar, reagir, quanto a vestimenta então, dependendo do que escolhemos como profissão é uma submissão constante, desde os saltos altos, roupas desconfortáveis, cabelos feitos, às unhas pintadas.

Não há problema algum uma mulher querer fazer as unhas, gostar de rosa, se depilar, desde que esse desejo seja livre de qualquer imposição subliminar feita por diversos atores. O corpo por ser “seu” deveria ter uma inviolabilidade incontestável, liberdade para fazer e ser quem você realmente é – livre.

Assim, trago algumas reflexões. Até onde o seu conceito de imagem corporal é realmente seu? Será que o que você define como “bonito” ou “ideal” é um padrão autoimposto por anos? Já parou para pensar se as coisas que você busca ou consome fazem parte do seu verdadeiro desejo? Será que existe livre arbítrio no que tange o conceito de beleza?

A corriqueira necessidade apresentada de se manter o corpo do verão, o da moda, ignora o que se torna, praticamente, intangível como o passar dos anos: o nosso próprio eixo, que passa a ser entorpecido pelos procedimentos estéticos invasivos.

A forma da beleza nutrida pelo mercado, que nos tornam quase iguais pela “escolha” de ter o cabelo, o rosto, e os dentes que estão estampados nas revistas, nos programas e nas figuras que dizem serem felizes. Assim, excluímos o que há de mais singelo e rico: a diversidade.

A busca por uma imagem que corresponda ao nosso reflexo interno no espelho, é tintada com os pincéis da distorção que marca e define com intuito de corrigir as imperfeições, o que, geralmente, nos submete a mais uma forma de sofrimento e a falsa ideia de soberania. E mais uma vez lhe pergunto: “já parou para pensar se seu padrão de beleza não se limita a uma fantasia?

Será que com as estações de novos anseios assumimos a posição de cigarras que necessitam trocar seus exoesqueletos para proporcionar seu crescimento?”. Porém, nos esquecemos de que o nosso sistema é regido por outras leis e nossos órgãos não são acessórios que mudamos conforme a ocasião desejada.

Há riscos, há perdas, há indústria, há quem diga que é uma escolha. Não digo que todos os procedimentos devem ser abominados ou evitados, mas ponderados de acordo com sua utilidade e emergência. É pensar se o que desejamos não foi o meio que fomentou.

É encontrar a beleza nas curvas da vida, do corpo, da alma. É querer se amar pelas imperfeições e buscar entender que lhe foi imposto no imaginário o mito da beleza em diversos aspectos, e que talvez não sejamos capazes de compreendermos todo o espectro contemplado.

É se olhar e se reconhecer pelo simples fato de resistir ao sistema que oprime e reprime mediante a exposição constante de corpos e vidas que não nos representam. É opor-se ao movimento do mercado que manipula, envenena, mascara, e nos alimenta de toxicidade distribuída por eles, por nós, por mim.

É pensar antes de agir, de reproduzir para não contaminarmos aos demais com uma espécie de doença autoimune que nosso organismo já não consegue responder tão bem.

Como um vírus que se instala e não se desprende do organismo, pois o corpo já nem o rejeita por ter sido integrado, e que aos poucos mata e se despede, do que um dia já foi, a célula única, complexa, que nem se reconhece, apenas imagina o que se deve ser ou fazer para existir como membro do corpo das massas.

É encontrar a beleza em envelhecer, e se reconhecer por ser quem somos e não nos encaixarmos às formas do mundo das ideias alheias.

“E, o que você pode fazer para se livrar dos estereótipos autoimpostos que talvez você nem saiba que estão impregnados no seu ‘verdadeiro ser’?”.

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