A Solidão

A Solidão

Quando nascemos somos contemplados por vários atores, por mais que seja irracional pensar que o tempo pare a cada momento em que uma vida nasce, pode-se ao menos dizer que um átimo é capturado do ambiente, dos que estão presentes, do clima, da hora, do dia, do posicionamento das estrelas no céu. É o momento em que o tempo desacelera em descompasso com o choro pela percepção daqueles que nos recebem, e o tempo novo passa a correr.

Quando nascemos somos contemplados por vários atores

Com o passar dos anos, o objeto da ação – contemplar, torna-se o sujeito, e como as experiências e as necessidades os objetivos passam a ser padronizados: estudos, paisagens, viagens, socializações, mas o mais esperado e planejado, talvez seja, a aposentadoria. Contudo, nota-se que viver em função da tão sonhada jubilação, que possuía como definição: gozar de tudo que não se podia durante a vida adulta, já se encontra em uma reta paralela, pois mesmo que o conceito exista, não significa que sua conquista seja alcançável, ou viável.

gozar de tudo que não se podia durante a vida adulta, já se encontra em uma reta paralela, pois mesmo que o conceito exista não significa que sua conquista seja alcançável

O filme – Nomadland – apresenta este ambiente comum e hostil, especialmente, aos que se encontram na faixa dos 60 anos, apesar de o plano ter sido apresentado, não há o ponto comum que todos buscam: a fase de descanso e desfruto. As conquistas profissionais e os sacrifícios foram em vão, já que a data de expiração humana é, constantemente, imposta invalidando a individualidade de cada pessoa em número, em estatística, em mais uma mão de obra a ser explorada por falta de escolha, ou melhor pela sobrevivência ao meio que o repele constantemente – oferecendo abundantemente os olhares de desprezo e indiferença a todos os que pretendem se fixar, ou não seguir o roteiro de não criar raízes em um lar fixo, que enjaula de qualquer modo a solidão com revestimentos e acabamentos diferentes, pois é certo que nos atinja a certo ponto, modo e tempo.

As conquistas profissionais e os sacrifícios foram em vão, já que a data de expiração humana é, constantemente, imposta

A história destaca a jornada de Fern, que vive em uma RV (recreational vehicle), traduzido ao pé da letra como – um veículo recreativo, em outras palavras um trailer. O meio de transporte que tem como finalidade proporcionar algum tipo de divertimento, distração, passa a ser o lar que ela carrega consigo para encarar as mazelas da vida; desconstruindo o estereótipo de liberdade, recreação, sendo apenas o seu meio e modo de proteção. Os motivos para torná-lo em sua casa são diversos, apesar de ser uma escolha, não deixa de ser uma saída do espaço, da situação, mas que indiscutivelmente não se desvincula do ciclo mais temido por ela, e por todos: a solidão.

Assim, observa-se que não existe modo certo de se viver, somos todos condicionados a diferentes restrições físicas e emocionais. O espaço amplo ou minimizado não define a quantidade de solidão que pode nos acompanhar, da mesma forma em que o lar pode ser encontrado ou perdido, a solidão não é tão diferente e estática. Nós é que nos aproximamos ou acolhemos certos sentimentos voluntariamente ou não.

A vida é como uma rota sinalizada, em um dia ensolarado, chuvoso, ou escuro, o que pode mudar é percepção da jornada de acordo com a dedicação a observação ao que nos cerca  para sabermos quando devemos parar, agir, sinalizar, retomar e seguir.

 

 

Kamilla Oliveira Debona

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