Viaduto em Cobiça, trecho da Ferrovia Vitória Rio. Foto: Paulo Thiengo

Antiga Ferrovia Leopoldina celebra aniversário de 110 anos

Antiga Ferrovia Leopoldina celebra aniversário de 110 anos
Antiga Ferrovia Leopoldina celebra aniversário de 110 anos
Alessandro Araujo de Paula

Uma das mais lindas ferrovias do país completa neste sábado (27) 110 anos de criação, mas sem muito a comemorar. Há três anos a linha férrea foi desativada e está completamente abandonada, com trechos depredados ou deteriorados pelo tempo.

A Ferrovia Vitória x Rio de Janeiro, a antiga Leopoldina, foi inaugurada neste mesmo dia em 1910, numa cerimônia que contou com a presença do então presidente da República, Nilo Peçanha.

A ferrovia passa por túneis. Foto: Paulo Thiengo

A notícia positiva é que agora o Estado conta com uma regional da ONG Amigos do Trem, instituição que vem realizando ações no país de revitalização da malha férrea.

A ONG defende a manutenção e reativação da antiga ferrovia que percorre a região Serrana do Estado e municípios sulinos, como Cachoeiro de Itapemirim, Muqui e Mimoso do Sul.

Na Região Serrana a ferrovia passa por trechos com muito verde, margeia rios, vales e montes, atravessa túneis e pontilhões escavados no maciço da montanha, uma obra de engenharia surpreendente para a época.

Trecho da ferrovia, que foi roçado por Paulo Thiengo, estava tomado pelo mato

 

O pesquisador e apaixonado pela ferrovia, Paulo Henrique Thiengo, lembra que a via férrea trouxe grande desenvolvimento para a capital do Estado que, à época e até os anos 40, possuía apenas metade dos habitantes de Cachoeiro.

O município sulino na época, afirmou Paulo Thiengo, era bem, muito mais desenvolvido do que Vitória e exportava suas riquezas, principalmente o café, via porto de Barra do Itapemirim, então o mais movimentado do Estado.

Apaixonado pela via, Paulo Thiengo tem roçado sozinho trechos da linha férrea na localidade de Cobiça, em Cachoeiro de Itapemirim, e que estavam tomados pelo matagal.

 

 

Pesquisador defende reativar e interligar ferrovia

Estação em Morro Grande. Foto: Alessandro de Paula

 

Com relação à Ferrovia Litorânea, projeto que pretende abrir via férrea pelo Litoral Sul passando por Presidente Kennedy até o Rio de Janeiro, Paulo Thiengo afirma que a ONG Amigos do Trem não é contra a outra linha férrea, mas defende a interligação das duas.

Ele disse que possui raros originais de dois projetos de variantes para desviar os trilhos da região serrana, por conta das condições técnicas da via. O primeiro é de 1965 e, o segundo, de 1974.

Existiu um terceiro, elaborado pela então Ferrovia Centro-Atlântica S.A., que recebeu a concessão deste trecho em 1996, visando ligar Cobiça da Leopoldina com a EFVM em Flexal, Cariacica, mas que não saiu do papel, apesar de ter conseguido as licenças ambientais e até realizadas as audiências públicas.

Ele defende a manutenção da antiga ferrovia no trecho entre Ururaí (Campos) a Vitória, interligada à nova naquela localidade, em Cobiça e em Viana.

Assim, explicou, a antiga ferrovia serviria para atrair novas empresas para o interior de Cachoeiro e região, com a possibilidade de criação aqui de um Porto Seco, com aduana, além de servir às empresas já existentes e conectadas à malha ferroviária, como a fábrica de cimento.

Outros municípios também seriam beneficiados, como Campos dos Goytacazes, que poderia desenvolver a região junto à divisa com o ES.

No trecho urbano, em Cariacica e Vila Velha, sugere a implantação de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) para atender o transporte urbano.

Em toda a extensão do trecho, indica a implantação de Trens Unidade Diesel (TUD), como transporte regional de passageiros e turistas.

Isso seria fundamental para a região serrana, por conta da proximidade com a Grande Vitória, e incrementaria a economia do sul do Estado, ao permitir a circulação de bens, serviços e consumidores entre os municípios da região, fazendo um contraponto ao desenvolvimento que ocorrerá entre os municípios litorâneos com a nova ferrovia.

Ultimas Notícias