Foto ilustrativa: Freepik

Apoio ao aleitamento materno em tempos de Covid-19

Apoio ao aleitamento materno em tempos de Covid-19
Apoio ao aleitamento materno em tempos de Covid-19
Jaqueline Bragio

ARTIGO: Jaqueline Bragio, doutora e mestre em Educação, enfermeira especialista em Saúde da Criança e Adolescente.

 

O mês de Agosto é dedicado à promoção, proteção e apoio ao Aleitamento Materno. Conhecido como “Agosto Dourado”, a escolha da cor “dourada” representa a qualidade do padrão ouro que o leite materno oferece ao bebê. A recomendação mundial é a exclusividade do aleitamento materno até o 6º mês de vida do bebê e após, seja complementado com adição de uma alimentação saudável até os 02 anos ou mais.

O ato de amamentar um bebê é uma experiência única e exclusiva de cada família e, existem muitos fatores psicológicos, fisiológicos e sócio-culturais influenciadores nesse processo.

Para a produção do leite humano a mulher precisa, entre outros fatores, de uma boa alimentação e hidratação, além de horas de descanso. Somado a isso, o próprio processo de extração do leite pelo recém nascido estimula a produção, ou seja, quanto mais o bebê suga o leite, mais ele é produzido.

Além do desejo de amamentar, uma mulher precisa de ter uma “Rede de Apoio” que compreenda e identifique suas necessidades, normalmente esta rede é formada pelo companheiro, amigas que já passaram pela experiência de amamentar ou demais membros da família (mãe, irmãs, tias, primas, cunhadas, sogra) que tenham disponibilidade e/ou uma relação de afeto e intimidade. 

O termo “rede” é usado para reforçar a importância dos “laços” de afeto e confiança. Essa ligação vai oportunizar a troca de experiências e suporte afetivo para o enfrentamento dos desafios que surgem naquele lar, junto com a chegada do bebê.  

O empoderamento da nutriz e de sua rede de apoio, em favor da amamentação, é uma tarefa desafiadora e, em especial, nesse período da pandemia em que estamos vivendo. 

As recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria são favoráveis à manutenção do aleitamento materno, apesar da pandemia do novo coronavirus (COVID-19), desde que a mãe se sinta confortável e tome os devidos cuidados, tais como, realizar a correta higienização das mãos antes e após tocar o bebê para amamentar e, em caso de suspeita ou confirmação do COVID-19, o uso da máscara facial durante toda mamada. Dessa forma, desde que todas as medidas preventivas sejam seguidas, não há contra-indicação do aleitamento materno.

Os benefícios do leite materno são essenciais para o desenvolvimento e crescimento do recém-nascido, assim como para a criação do vínculo afetivo e proteção contra algumas doenças como diarréias, alergias e infecções respiratórias, por meio da transmissão de anticorpos maternos protetores aos bebês.

Em algumas situações em que as mães não se sentirem confortáveis para aleitar, o leite humano poderá ser retirado, com o uso de bombas de extração láctea (devidamente higienizadas) ou manualmente. O leite extraído poderá ser ofertado ao bebê por um cuidador saudável.

Por fim, devemos relembrar a importância da correta higienização das mãos, que deve ser realizada usando água e sabão ou por meio da fricção com solução alcoólica a 70%, antes de tocar no bebê ou de extrair o leite materno para ser ofertado.

As máscaras faciais devem cobrir toda a boca e nariz. Não devem ser tocadas na parte interna, e devem permanecer no rosto durante toda a mamada e durante os cuidados com filho.  O ideal é a troca dessa máscara a cada mamada.

Contudo, muitos os benefícios do aleitamento materno, no entanto ter uma Rede de Apoio efetiva torna-se uma chave para esse sucesso. Além da rede de apoio familiar, os bancos de Leite Humano continuam funcionando, oferecendo suporte técnico-científico necessário para a superação dos desafios e manutenção do aleitamento materno. Outra opção comum na atualidade são os atendimentos virtuais, realizados por meio de redes sociais, oportunizando a troca de experiência e manejo adequado para o sucesso do aleitamento materno. 

Todo apoio em favor do aleitamento materno é bem-vindo, pois, amamentar é um ato de amor, sem limites!

Jaqueline Bragio é enfermeira. Foto: Acervo pessoal
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