Ouvi sua voz bem baixinha, com muita dificuldade de respirar, como um ronco de um gato. Suas forças desaparecendo, seus olhos perdendo a cor e sua pele em tom amarelado.
Chamei por ela com a angústia que tomava meu peito: Mãe…
No desespero que consumia a minha alma, ela somente negava com a cabeça. Tentativas em vão em busca de reverter a situação, mas até entender que o seu não era: “Me escute”.
Sentei-me ao seu lado e a sua voz, como um sussurro, apenas me disse: “Me desculpe!” Ela repetiu por três vezes até que eu entendesse, eram suas últimas palavras, era sua despedida.
“Sim, eu te desculpo”, embora não compreendesse os seus motivos. Sua respiração foi ficando cada vez mais curta, não havia mais tempo. O socorro já havia sido acionado, mas seria minha voz a última a ser ouvida. Com as mãos dadas e cantando o refrão de uma canção, minha voz parecia acalmar o seu espírito inquieto.
Com os seus olhos fechados, sussurrei em seu ouvido: “Não se preocupe, ficaremos bem. Pode partir.” Seu corpo já estava cansado, sua alma gritando. No silêncio de um quarto, no refúgio de meu abraç,o ela respirou fraquinha e se foi, assim como uma linda borboleta depois do processo doloroso de um casulo.
Ela simplesmente voou. Voou nos deixando a certeza que depois das guerras que travou entre a vida e a morte sua alma apenas descansou, encontrando a paz e a cura nos braços do nosso criador.
Eterna mãezinha: Maria José Ponciano.

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