Dalva Ringuier

A protetora incansável das florestas e dos mananciais
Anete Lacerda

Este é um projeto do jornal diaadiaes.com.br que retrata a vida de mulheres que influenciam, fazem diferença e nos inspiram a seguir em frente.

São personagens reais que estão em todos os lugares e são protagonistas de suas próprias histórias. Que contribuem para um mundo melhor.

Seja bem-vindo a mais uma  história de uma incrível mulher.

A protetora incansável das florestas e dos mananciais

“Enquanto estiver viva vou continuar lutando pela questão ambiental”.

Dalva Ringuier

Ela nasceu às margens do Rio Itapemirim, na localidade de Boa Vista, próximo à Coutinho. Sua casa em Cachoeiro é às margens do mesmo rio há mais de 40 anos.

Natural, portanto, ouvi-la dizer que o Itapemirim corre em suas veias. Isso porque sua relação de amor e respeito por ele nasceu na infância, quando percorria suas águas abundantes regularmente, a bordo de uma canoa.

Fazia isso acompanhada do avô, filho de índios, que deixou de herança os conhecimentos sobre raízes, folhas, flores, caules e óleos medicinais e sobre a importância da preservação ambiental.

Diante de tanta curiosidade, o que mais a intrigava e sempre perguntava ao avô era de onde vinha tanta água. A inquietação a levava a imaginar onde o rio nascia e para onde ele ia.

Talvez isso explique o envolvimento da ambientalista Dalva Ringuier com a preservação dos rios e mananciais.

“Quando era criança eu dizia a mim mesma que um dia ia conhecer o Rio Itapemirim de onde ele nascia até onde ele terminava. Então escolher esse caminho da educação e preservação ambiental foi muito natural”.

Hoje Dalva está aposentada, mas em nenhum momento deixou de trabalhar pela preservação de florestas e rios.

Dalva conta que mora no entorno do Parque Nacional do Caparaó, no Município de Dores do Rio Preto, na divisa com Divino de São Lourenço, mas que também tem casa em Cachoeiro e se divide entre as duas residências.

“Vivo e praticamente dentro da mata. Reflorestamos uma área enorme. Somos Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), trabalhamos com pesquisa científica, temos várias pesquisas na região. Somos também área de observação de aves. Eu não parei. Continuo dando palestras porque me especializei na formação de educadores para a área ambiental”.

Vamos saber um pouco mais sobre a importância da preservação dos recursos hídricos no Sul do Espírito Santo com a ambientalista Dalva Ringuier, que diz com todas as letras:

“Enquanto estiver viva vou continuar lutando pela questão ambiental”.

 

Quem é Dalva Ringuier?

Sou Cientista Social, Especialista em Educação Ambiental e Turismo. Mas fiquei conhecida predominantemente como Ambientalista pelo meu envolvimento em todos os movimentos que visam a preservação ambiental pelo menos nos últimos 40 anos em toda a Região Sul e Caparaó. Isso começou ainda na faculdade, quando resolvi defender a tese com o título Para onde vai o Rio Itapemirim. Era a oportunidade de responder a pergunta da infância. A faculdade na época não via nenhuma ligação da nossa área com a preservação ambiental, mas eu provei que tinha. Começamos com vários nessa tese, mas depois fiquei sozinha.

Há quantos anos você milita na defesa do meio ambiente?

Essa tese foi há 40 anos. Já naquela época percorremos toda a Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim atrás de dados e conhecimento sobre o nosso rio. Comecei e nunca mais parei.

 

Quais foram as conquistas mais significativas a partir das suas lutas e que você pode afirmar que ajudaram na preservação de nascentes, florestas e rios?

Eu  sou a idealizadora e uma das fundadoras da Associação dos Amigos da Bacia do Rio Itapemirim- AABRI. Participei de todas as expedições que percorreram o Rio Itapemirim e seus afluentes e estive presente em todas as lutas em defesa do meio ambiente. Sempre tive um grupo importante de cachoeirenses que estiveram juntos e fizeram toda a diferença nesse movimento. Pessoas apaixonadas pela natureza, pelo Rio Itapemirim, todos cientes da importância da sua preservação.

Trabalhamos também para abrir a portaria do Parque Nacional do Caparaó pelo lado do Espírito Santo e trabalhamos para que fosse feito o tratamento de esgoto dos 18 municípios (17 no ES e  uma parte pequena de Lajinha, em Minas Gerais) para que as águas descessem limpas e não contaminassem as bacias hidrográficas. Também iniciamos a luta para que Cachoeiro tivesse tratamento de esgoto. Participei também da criação do Prêmio Biguá e até hoje ajudo a escolher as melhores práticas. Foram e são muitas lutas, e ainda estamos na batalha.

Como começou a sua participação nas Expedições Científicas do Rio Itapemirim?

Depois que eu e meus amigos fizemos o diagnóstico do Rio Itapemirim na nossa tese, fizemos vários movimentos. Eu fiquei sem os meus amigos da tese depois, mas prossegui com as pesquisas. Fizemos a primeira expedição em 1997. Ela durou uma semana e foi a primeira da história da Bacia do R Itapemirim.

Depois disso coordenamos todo o trabalho para a criação do Comitê da Bacia do Rio Itapemirim.  Estivemos inclusive na Secretaria Executiva por alguns anos. Fomos a Brasília, nos reunimos com o Conselho Nacional dos Recursos Hídricos e com a Agência Nacional das Águas, que passaram a dominialidade da parte de Laginha, em Minas Gerais, para o Espírito Santo, para que esse comitê fosse criado através da Lei número 5.818.

Antes da implantação do Comitê fizemos uma proposta à Rede Gazeta para fazer a expedição em 2004. A partir do Comitê provisório apresentamos os resultados da expedição científica.

Depois criamos a Associação dos Amigos do Rio Itapemirim – AABRI, que está ativa em Cachoeiro até hoje. São muitas ações. A partir desse trabalho todo, nós nunca mais paramos.

A vida de Dalva Ringuier então sempre orbitou em torno da preservação ambiental?

Sim. Fui diretora de Educação Ambiental do Estado, criamos o Consórcio de Desenvolvimento da Região e fui sua secretária por quase 20 anos, capacitamos num programa de educação ambiental mais de seis mil educadores ambientais. Atualmente recebo estudantes universitários da área de Biologia e Florestas para pesquisas científicas aqui no nosso canto. As pessoas podem não ter noção, mas a preservação do Meio Ambiente se transformou numa bandeira eterna para mim . Enquanto eu viver estarei lutando pela questão ambiental. Todo mundo depende do meio ambiente, pena que alguns não valorizem isso e não preservem.

Sobre as enchentes, o que é preciso dizer?

A pessoa acha que se chover em Cachoeiro o rio vai encher. Ele enche se chover nas três cabeceiras. Isso foi uma descoberta muito interessante da primeira expedição. Levantamos os dados e vimos que o rio só vai transbordar se encherem os de Venda Nova, Conceição de Castelo, Castelo, os da Região do Caparaó,  e o de Vargem Alta também ,que desemboca no Rio Castelo.

Tanto tempo depois a conscientização em relação à importância da preservação dos rios melhorou?

Infelizmente não. A situação de todos é a mesma. Só muda o nome do rio. Vimos sempre construções  e esgoto jogado no leito, muito lixo. E na zona rural acrescentamos os impactos do desmatamento, a erosão e o solo degradado. Os problemas são iguais.  Onde tem o homem ele se dedica o tempo todo em pensar o que retirar da natureza enquanto ele puder. Ele raramente pensa o que ele vai repor para a natureza. Infelizmente o homem e o Poder Público  também são responsáveis pelas enchentes. Os Municípios cresceram desordenadamente e permitem o descumprimento e desrespeito ao Plano Diretor Municipal. A população constrói dentro do rio, quando o Código Florestal estabelece que ele tem que ter suas margens livres para as águas fluírem normalmente no caso das grandes enchentes. Na Zona Rural o desmatamento, com a pouca cobertura florestal, não propicia a infiltração das águas no solo. Então a chuva vem por cima levando tudo que estiver na frente.

 

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