sáb 18/maio/2024 • 03h20
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Anete Lacerda

Este é um projeto do jornal diaadiaes.com.br que retrata a vida de mulheres que influenciam, fazem diferença e nos inspiram a seguir em frente.

São personagens reais que estão em todos os lugares e são protagonistas de suas próprias histórias. Que contribuem para um mundo melhor.

Seja bem-vindo a mais uma  história de uma incrível mulher.

Andresa Silva

Andresa Silva, uma mulher à prova de fogo

Ter uma carreira de sucesso e desfrutar dos momentos da vida ao lado da família estão entre os sonhos da capitã Andreza Silva, do Corpo de Bombeiros Militar do Espirito Santo. Atualmente trabalha na Assessoria de Comunicação da corporação e diz que está sendo muito desafiador.

"Eu digo sempre que não escolhi a carreira. Ela me escolheu. Eu passei no concurso e fiz o curso de formação em 2009 e me apaixonei. Decidi que era aquilo que queria fazer para o resto da minha vida".

Carla Andresa Nascimento Silva, a capitã Andresa Silva, do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, tem traços delicados e um lindo sorriso.

Ao primeiro contato já é possível perceber que é uma mulher vaidosa que cuida não apenas da aparência, mas também de sua saúde física. A prática de exercícios físicos faz parte da rotina. Às 6h já está na academia.

Essas características podem sugerir que as coisas sempre foram fáceis para ela. Não foram. Quem a vê não imagina que já entrou para a história capixaba (e mineira) pelo esforço e pela competência.

Capitã Andresa é a única mulher que conquistou o primeiro lugar geral e a maior nota na Academia do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, onde concluiu o curso de três anos do Bacharelado em Ciências Militares.

Estudou na academia mineira porque o Espírito Santo não tem esse espaço de formação e realiza convênio com outras corporações.

Ela conta que sua turma tinha 39 alunos, entre homens e mulheres, mineiros e capixabas, e que ela foi a primeira mulher da Academia de Bombeiros Militar de Minas Gerais e do Espírito Santo a ser a Número 1.

“Atribuo esse resultado à dedicação durante o curso, queria ficar em primeiro lugar no meu estado, pois sabia que teria o direito de escolher onde queria trabalhar, e certamente teria uma vaga na Grande Vitória. E para minha surpresa, no último ano consegui a primeira colocação geral”, relata.

Andresa conta que conquistar o primeiro lugar com a maior nota deu a ela bastante visibilidade tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo.

“A primeira colocação geral foi bacana. Foi histórico mesmo e todos só falavam sobre isso. Ganhei uma espada da Casa Militar do Governo do Espírito Santo, recebi as medalhas de honra ao mérito do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e  também do meu Estado”, frisa com alegria.

Atuando na corporação há quase 15 anos, há três anos a capitã Andresa Silva é porta-voz do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo e atua na Assessoria de Comunicação.

Mas quem pensa que vai vê-la sempre maquiada e com a farda administrativa, na sede da corporação em Vitória, está enganado.

A capitã tem cursos de especialização em Resgate e Emergências Médicas e Instrutora de Combate a Incêndio e dá curso aos bombeiros e instrutores nas atividades de queima nos containers. Foi nesse espaço que iniciamos a nossa entrevista.

Nessas instruções é possível encontrá-la com equipamentos e vestuário de combate a incêndio que pesam cerca de 25 kg. Dentro do vestuário a temperatura alcança em média 50 graus. Na cena do treinamento, o calor é muito maior.

Andresa trabalha também como instrutora nos cursos de inclusão do Corpo de Bombeiro. Foi coordenadora da Brigada 21, a primeira do país para jovens com Síndrome de Down, e também da primeira brigada para jovens autistas, a Brigada Azul.

“Adaptamos todo o conteúdo de primeiros socorros e de combate a incêndio para esses dois públicos, conseguimos trabalhar. E aprendemos muito com eles. Todos conseguiram realizar todas as técnicas e práticas e passaram muito amor e confiança. Quem aprendeu mais foi o Corpo de Bombeiros”, destaca.

A capitã Andresa Silva certamente rompeu fronteiras e está construindo uma carreira sólida no Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo.

“Falar da capitão Carla Andresa é muito fácil. Conheço desde que entrou como soldado. Ela é ao mesmo tempo sensível e bruta e desenvolve qualquer função aqui dentro. Trabalha dando aulas aos instrutores que também vão dar aula. Na parte física acompanha todas as corridas. E é aquela simpatia, sempre sorrindo, sempre alegre, sempre de bom humor. Temos muito orgulho e somos muito felizes de tê-la em nossa corporação”, enfatiza o coronel Roger Vieira do Amaral, sub-comandante do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo.

Vamos conhecer um pouco mais dessa mulher, mãe da Elis, de três anos, que tem uma rotina agitada, o que não tira a sua disposição e alegria, O Corpo de Bombeiros do Espírito Santo tem 12% de mulheres em seu efetivo.

 

 

Andresa Silva, a número 1

 

Porque escolheu a carreira no Corpo de Bombeiros? 

Eu digo sempre que não escolhi a carreira. Ela me escolheu. Eu passei no concurso, fiz o curso de formação e me apaixonei. Decidi que era aquilo que queria fazer para o resto da minha vida. Quando passei no concurso estava no último ano da Faculdade de Farmácia. Havia passado primeiro para o concurso de soldado da Polícia Militar. Mas minha mãe insistiu para que eu fizesse o dos bombeiros também. Ela inclusive me deu o dinheiro da inscrição. Passei no concurso de 2008, mas abdiquei da antiguidade para fazer o curso em 2009, após a minha formatura de Farmácia. Minha mãe faleceu, mas sempre disse a ela que era minha heroína. Ela se orgulhava muito do meu trabalho. Acompanhava tudo de perto. E estes resultados não seriam possíveis sem o apoio dela e do meu pai.

 

É possível apontar uma ocorrência que a tenha marcado?

Por incrível que pareça, a minha primeira ocorrência com óbito foi quando trabalhava em Marechal Floriano. Uma colisão frontal de um carro de passeio com uma carreta. E infelizmente o casal morreu. Era Dia das Mães e no atendimento vi que a mulher estava grávida, aparentemente com uns sete ou oito meses de gestação. Foi a primeira de impacto e com óbito.

 

Já enfrentou preconceito num ambiente que é predominantemente masculino?

Eu sempre me dediquei muito em todas as atribuições e nos cursos de formação. Eu alcancei excelentes resultados. Na formação para soldado eu era a primeira colocada até sair a nota da prova de tiro (risos), quando perdi muitas posições. Mas isso não me desanimou. Nos cinco anos como soldado sempre fui motivada. Quando fui para o Curso de Formação de Oficiais eu trabalhei pelo primeiro lugar do Espírito Santo. E acabei ficando em primeiro lugar geral. A partir do momento que você prova que é capaz, não há espaço para gracinhas. Mas a gente tem que provar competência o tempo todo, o que acaba sendo meio chato e cansativo. Durante meu curso de formação de oficias, eu e minhas companheiras de turma treinávamos muito para as provas operacionais, e em muitas vezes fazíamos no tempo melhor que o dos homens. Mas sempre com muito esforço e dedicação.

 

O que diria sobre a população atribuir ao bombeiro, em muitas pesquisas, o título de herói nacional?

De fato temos um nível de aceitação muito grande na sociedade e somos muito gratos por isso. Eu acredito que isso se deve à percepção da população de que o bombeiro atenderá todas as ocorrências para as quais for acionado. Atuamos desde o salvamento aquático, terrestre e em altura. Em todos os locais onde as outras forças de segurança não vão, os bombeiros são acionados, vão e resolvem. Então creio que isso leva a população a ter um olhar de confiança e gratidão sobre a nossa corporação.

 

Qual é o seu maior medo?

Na profissão é com relação a algumas ocorrências que a gente não consegue alcançar os resultados que espera. Numa cena de ocorrência o oficial é responsável pelo gerenciamento de toda aquele espaço, pela segurança de todos que estão ali. Então o maior medo é acontecer algo com alguém da equipe e até comigo mesma. Todos temos famílias e a gente preza por chegar em casa com segurança.

 

Quais são os maiores sonhos?

Como mãe, poder criar a minha filha da melhor forma possível para que ela seja uma pessoa honesta, dedicada nas suas missões, para que tenha os seus sonhos. Vou tentar auxiliar para que ela alcance todos eles. Como bombeira militar é crescer na minha carreira, dar continuidade, alcançar outros postos. Atualmente, nesse quadro, eu não alcanço o posto de coronel porque eu tive cinco anos como soldado. Mas se esse quadro aumentar com o passar dos anos, pode ser que eu alcance.

 

Que conselho daria a outras mulheres que pretendem seguir carreira no Corpo de Bombeiros?

Para qualquer mulher que queira seguir a carreira militar, seja na Polícia Civil, Militar ou no Corpo de Bombeiros, é que se dedique e corra em busca dos seus sonhos. Com força de vontade, determinação, garra e muito estudo a gente consegue. E lembrar que as etapas do concurso não são apenas teóricas. Tem a parte física também. Seguir as regras do edital para alcançar o que se deseja.

 

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