seg 15/abril/2024 • 06h27
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Anete Lacerda

Este é um projeto do jornal diaadiaes.com.br que retrata a vida de mulheres que influenciam, fazem diferença e nos inspiram a seguir em frente.

São personagens reais que estão em todos os lugares e são protagonistas de suas próprias histórias. Que contribuem para um mundo melhor.

Seja bem-vindo a mais uma  história de uma incrível mulher.

Regina Grafanassi

Regina Grafanassi. A simplicidade da grande dama da elegância cachoeirense

"A elegância está na simplicidade. As pessoas verdadeiramente elegantes não ostentam nem perdem tempo com bobagens".

A nossa Brava Mulher dessa edição tem um legado de generosidade e amor ao próximo, externados através dos serviços sociais que prestou e apoiou (e ainda apoia, caso seja convocada) em Cachoeiro de Itapemirim ao longo de sua vida.

Se não bastasse a sua dedicação a causas nobres em prol dos mais vulneráveis, também é conhecida por sua elegância, que transcende o aspecto externo.

É uma pessoa naturalmente gentil e presença sempre marcante nos momentos mais relevantes da sociedade cachoeirense nas últimas décadas.

Quem a conhece ressalta que receber bem, com doces e outras iguarias de sabor indescritível preparados por ela, é um privilégio inigualável.

De abraço aconchegante e doces palavras, nos recebeu carinhosamente e contou um pouco de sua história. E uma coisa ficou muito clara: a sua família é o seu bem mais precioso. Os filhos almoçam com ela todos os dias.

Estamos falando de Maria Regina de Magalhães Grafanassi, ou simplesmente Regina Grafanassi, como é tratada carinhosamente pelos amigos e admiradores.

Ela acabou de completar 90 anos cercada do carinho da família e dos amigos mais próximos, que fizeram questão de prestigiá-la.

A dama da elegância cachoeirense, como é chamada carinhosamente por muitas pessoas, é testemunha ocular de fatos que marcaram a história e a vida dos cachoeirenses.

Em nossa matéria vamos conhecer um pouco mais dessa mulher admirável e generosa que nasceu na antiga estação ferroviária de Vargem Alta (literalmente, já que o pai era responsável pelo ponto de apoio aos passageiros ferroviários e a família morava no local) quando o hoje município ainda era distrito de Cachoeiro de Itapemirim.

Regina Grafanassi estudou em Manhauçú-MG, num internato, e ainda mantém vínculo forte com amigas e amigos da época.

O ex-prefeito de Cachoeiro Theodorico de Assis Ferraço é um dos que também estudaram na mesma instituição e com quem mantém contato até hoje.

A nossa dama da elegância tem muitas histórias para contar. Durante 23 anos foi diretora social do Caçadores Carnavalescos Clube, um dos mais tradicionais e respeitados da cidade, sendo responsável pela organização do Baile Oficial da Festa de Cachoeiro (não é Baile de Gala. De gala é roupa, pontua).

Ela era o toque de classe e elegância na realização de um dos eventos mais prestigiados dos festejos que marcam as comemorações máximas da cidade.

O baile atraia cachoeirenses não apenas do Estado, mas de várias partes do país, e as maiores autoridades políticas e empresariais locais e regionais.

E tem um detalhe interessante: Regina Grafanassi ainda guarda todos os vestidos que usou nos bailes (à exceção de um, que deu de presente à neta) caprichosamente embalados em caixas. Eles mostram todo o seu bom gosto e também porque a elegância a define. Entre as lindas peças, alguns clássicos atemporais.

Mas para conhecer de fato uma pessoa é preciso ouvir quem a conhece de perto, e há muitos anos. Vale destacar as palavras da advogada Mirtes Santos Machado,  grande amiga, sobre a nossa entrevistada.

Ela diz que as pessoas que se referem a Regina Grafanassi lembram de tudo que ela fez de bom, da elegância, que cozinha muito bem, que é uma pessoa maravilhosa, que todo mundo gosta, universal.

Mas que ela gostaria de destacar outra característica marcante. “O que eu vejo na Regina é o caráter, que me faz ter admiração por ela. Ela é uma pessoa boa, e isso não é para qualquer um. É leal aos amigos e creio que muitas pessoas vejam isso. Enxergo muito além da elegância”, frisa.

Outra amiga que faz questão de falar é Neuza Missi, que juntamente com Mirtes Machado, é companhia constante de Regina Grafanassi.

“Parece fácil falar de Regina, mas não é. Corremos o risco de esquecer alguma coisa. Ela colocou sua vida para servir, animar e trazer alegria a todos”, enfatiza.

Neuza lembra ainda que a amiga é boa, acolhedora, generosa, carinhosa e fiel aos princípios que sempre acreditou e defendeu. “É uma mulher de fé inabalável e oração diária. E é um privilégio desfrutar de sua amizade”.

A filha Maria Amélia diz que a mãe sempre foi muito ativa. A casa esteve cheia a vida toda.  Tanto por causa da loja e dos desfiles, mas também pelas muitas pessoas que se sentiam completamente à vontade naquele lar de portas sempre abertas.

“Uma grande lição da mamãe, ensinada sem palavras, mas nas atitudes,  é que seja rico, seja pobre, trate a todos muito bem, com muita educação. Converse sempre com as pessoas. Quando me perguntam se ela me ensinou etiqueta, digo que não.  Aprendi pelo exemplo”, conta.

Maria Amélia aponta outra característica da mãe que merece ser destacada: a capacidade de agregar. “Como dizem meus primos, ela é uma matriarca. E muito importante. Nunca se meteu na vida de ninguém. Ela é, sempre foi e sempre será uma pessoa educada”.

E sabe o que Regina Grafanassi faz questão de destacar? Que a elegância está na simplicidade. Que as pessoas verdadeiramente elegantes não ostentam nem perdem tempo com bobagens.

Ela inclusive fez um manual de boas maneiras, transformado no livro “Etiqueta é uma arte”, publicado por pressão dos amigos. Eles entenderam que as dicas precisavam ser compartilhadas.

Vamos ouvir um pouco mais o que Regina Grafanassi, naturalmente delicada, e que ilumina os ambientes com sua doce presença, tem a nos ensinar com seu exemplo e história de vida.

 

Uma pessoa que não vive na alta sociedade pode ser elegante?

Com certeza pode porque a elegância está na simplicidade, não está na ostentação. Então isso é perfeitamente possível. Muitas vezes estou sentada numa turma e tem alguém estranho e me apresento. É interessante ver que as pessoas se assustam porque acham que eu seria cheia de pompa. Isto é uma grande bobagem. A simplicidade é tudo. A pessoa elegante não tem necessidade de aparecer. Então qualquer um pode ser elegante.

 

Sua elegância é herança de família?

A minha elegância é natural. Eu sempre fui do jeito que sou hoje. Eu me lembro que quando estudava em Manhuaçu, em Minas, as pessoas me perguntavam “por que você faz assim, por que você anda assim”. Minha mãe era filha de italianos, uma dona de casa maravilhosa, sempre arrumadinha, mas não era vaidosa. Era uma pessoa simples. Realmente a elegância é uma coisa natural em mim. Falo isso sem arrogância nem orgulho.

 

O que mais é importante que as pessoas saibam sobre Regina Grafanassi?

Que eu sempre trabalhei pelo bem da coletividade. Por isso eu acho que Deus está me dando a oportunidade de viver 90 anos e estar bem. O trabalho que fiz a vida toda fez bem aos outros. Mas me fez um bem enorme também. Não me lembro de ter feito mal a ninguém em toda a minha vida. De ter feito algo ruim para alguém. Sou amiga de todos. Quando não conheço, mas as pessoas me conhecem e me procuram, cuido delas com muito afeto, como se fossem conhecidas antigas. Então acho que cumpri minha missão. Minha vida valeu a pena e estou pronta para ajudar ainda sempre que precisarem de mim.

 

Gostaria de deixar um recado para as pessoas que a admiram?

Sim. Que se dediquem àquilo que as faz felizes. A gente ser feliz é muito importante. Os olhos transmitem isso. Servir pra mim é motivo de felicidade. Sou muito feliz pelos filhos, pelas noras, pelo genro, pelos netos, pelos bisnetos. Gostaria de ser lembrada com carinho e como alguém que fez alguma coisa pelas pessoas que precisavam. Eu vejo tantas pessoas morrendo mais cedo, com 90 anos não estão  mais lúcidas. E eu estou pronta ainda para ajudar. E isto é motivo de muita gratidão.

 

Qual a importância da Família na sua vida?

Minha família é tudo. Essa noite senti que Maria Amélia estava um pouco resfriada e custei a dormir preocupada com ela, pensando se podia ser uma gripe mais grave. Até hoje cuido dos meus filhos como se fossem pequenos. Cuido de tudo. Passei isso para eles, que cuidam dos filhos também. A gente tem que ter jeito, estar presente, agindo de acordo com cada um.

 

Existe uma lembrança que mereça ser compartilhada?

Sim. Dos bailes de debutantes que eu organizava. Eu me emocionava quando preparava a festa para as meninas simples de famílias atendidas pela Prefeitura. Nós oferecíamos os vestidos todos, conseguíamos rapazes da sociedade para dançar a valsa com elas. Sei que isso marcou muito a vida delas. Mas marcou muito a minha vida também. Ver a felicidade delas também fazia com que eu me sentisse feliz. Prestei serviço a vida toda e nunca recebi um centavo. Lembro que esse baile de debutantes que organizamos deu uma renda grande. Quando fui entregar o dinheiro para a Norma Ayub, que era a primeira dama de Cachoeiro, ela falou que não queria nada. Me deu uma lista para comprar tudo que precisasse para equipar a Casa de apoio aos Portadores de Aids. Comprei tudo, dos colchões e roupas de cama aos talheres. Entregamos a casa com tudo novo. Foi muito gratificante.

 

Regina Grafanassi em outros detalhes

– Ela foi a Cachoeirense Presente do ano 2000, uma honraria concedida pela Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, que elege para o título os cidadãos de maior relevância para o município;

– Ela deu aulas por muitos anos e gosta da lembrança da convivência em sala de aula. Ama ser chamada de professora e os abraços afetuosos de ex-alunos, que a surpreendem e externam carinho, é muito gratificante;

– Foi casada com Constantino Grafanassi, de origem grega, filho do fundador da centenária e famosa Fábrica de Ladrilhos Grafanassi, hoje administrada por um dos filhos;

– Tem três filhos: Maria Amélia, Constantino e Alexandre. Tem também 13 netos e cinco bisnetos. O sexto está caminho, destaca com alegria;

– Regina Grafanassi ficou viúva muito nova e ocupou o seu tempo de várias formas: deu aulas de inglês, foi proprietária de uma boutique que vestia as mulheres e meninas mais elegantes do Sul do Estado. Era tradição vestir as que debutavam em festas de 15 anos;

– Participa ainda do grupo das Damas da Caridade, da Sociedade São Vicente de Paulo, desde a sua fundação.

– Esse grupo se dedica a ações beneficentes fundamentais para pessoas e instituições (na maioria das vezes sem alarde, já que a  discrição é um dos princípios das mulheres que participam), e todas essas ações fazem grande diferença na vida das pessoas atendidas;

– O evento de maior maior visibilidade promovido pelas Damas de Caridade é o tradicional Chá da Vovó, quando peças artesanais de beleza incomparável são vendidas para arrecadar recursos que serão investidos em ações de filantropia;

– Até esse ano era Companheira Leão do Lions, posição que ocupou após a morte do marido. Dessa forma sempre participou de todas as ações organizadas pelo clube de serviço. Se desligou porque não tinha mais pessoas de sua idade. Mas frisa que, se convocada, continua pronta a participar das ações de cunho social.

 

 

 

 

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