Comerciantes em carreata cobram a reabertura das lojas em Cachoeiro

Comerciantes em carreata cobram a reabertura das lojas em Cachoeiro

Centenas de comerciantes saem em carreata na tarde desta quinta-feira (26), em Cachoeiro de Itapemirim, para pressionar pela reabertura do comércio na cidade na próxima segunda-feira (30). Decretos municipal e estadual determinaram o fechamento dos estabelecimentos comerciais por 15 dias por conta da pandemia de coronavírus.

Segundo a organização, 150 carros e 70 motos saíram, por volta das 16 horas, do Parque de Exposições Carlos Caiado Barbosa, no bairro Aeroporto, em direção ao Centro da cidade. A Polícia Militar acompanha a carreata, que conta com um carro de som. Antes de saírem, os empresários rezaram o Pai Nosso e tocaram o Hino Nacional.

Os manifestantes seguiram até a Praça Jerônimo Monteiro e depois retornaram até a Linha Vermelha, nas proximidades da estação ferroviária, onde a mobilização foi encerrada. Pela manhã, eles entregaram manifesto ao prefeito Victor Coelho.

Além disso, os manifestantes estão produzindo abaixo assinado para reforçar o pedido. De acordo com o empresário Júlio Souza das Neves Junior, 32 anos, o abaixo-assinado já conta com quase 300 assinaturas.

“A gente espera fortalecer o nosso comércio local, que acabou de passar por um momento difícil com a enchente na cidade, e agora temos que passar por mais esse problema, com esses decretos que foram impostos pelo governador e pelo prefeito de Cachoeiro. A gente queria pedir os bons olhos dos governantes da nossa cidade para olhar para os comerciantes, para que revejam esse decreto de uma forma ampla, para que as pessoas possam continuar o seu trabalho de forma consciente, educada, de forma que agrega a Vigilância Sanitária, a saúde. Não podemos resolver todo o problema da saúde e esquecer da economia da nossa cidade. Todo mundo precisa trabalhar e colocar o que comer nas suas casas. Temos que cuidar dos mais idosos, das nossas crianças e continuar trabalhando”, disse Júlio.

O empresário afirma ter amigos no ramo do comércio que não sabem se terão condições de voltar ao trabalho.

“Vamos colocar que aconteça o risco de aumentar o coronavírus. O que vai adiantar tratar 100% o coronavírus e acabar com a nossa economia? Aí as pessoas não vão morrer de coronavírus, vão morrer de fome, vão começar a saquear, roubar, matar. Vão morrer de depressão. Tenho amigos empresários que estão depressivos, que já acham que não vão conseguir voltar. Isso em uma semana! Se prorrogar por mais 15 dias, quem sabe o que vai ser do nosso país. Acho que os dois problemas devem ser tratados em conjunto. A gente precisa se reeducar e aprender a viver de uma nova forma, e não ficar isolado dentro de casa”, completa.

Outro empresário que participa da manifestação é Cristhian Germano Costa, 45 anos, dono de uma rede de lojas de confecções.

“Eu entendo que vai haver mais morte de CNPJ do que de coronavírus. Foi uma decisão muito radical e profunda, tendo em vista que nós vemos ainda circulação de ônibus, grandes redes de supermercados funcionando a todo vapor e alguns outros segmentos. Se era para parar, que parasse tudo. Por que só o comércio se há fluxo de pessoas em outras empresas? Queremos também trabalhar, mesmo que seja numa proporção menor. Temos muitos compromissos e não temos como pagar por eles”, disse Cristhian.

Máscaras

Nos convites divulgados nas redes sociais, os organizadores orientaram a todos a evitar sair dos veículos, como forma de não desrespeitar decreto municipal que impede aglomeração de pessoas, e que usassem máscaras.

Manifestantes foram acompanhados pela PM. Foto: Alessandro de Paula

O objetivo dos manifestantes é pressionar para que a reabertura dos estabelecimentos seja antecipada para a próxima segunda-feira (30), com 40% dos funcionários, em revezamento, dispensa dos maiores 60 anos, e a adoção de máscaras e luvas durante o expediente como forma de proteção.

Confira a íntegra do manifesto

“MANIFESTO DOS COMERCIANTES DE CACHOEIRO
MARÇO DE 2020

O ano de 2020 começou para os cachoeirenses com um desafio extraordinário, as chuvas costumeiras e a cheia do rio Itapemirim.
O Comércio local já enfrentava a recessão instalada e suas consequências mais imediatas são a tendência à queda da demanda, ao aumento da inadimplência e do desemprego e à redução dos investimentos. De outro, temos a eclosão da pandemia do COVID-19, diante de sistemas de saúde debilitados.
A estratégia de isolamento social indefinido para combatê-la não só afeta gravemente a renda das famílias, como a manutenção dos empregos, a atividade econômica e da geração de tributos.
A crise econômico-sanitária nos mostra, mais uma vez, a tendência, o desemprego, a fome, a violência e a peste – não apenas o coronavírus! – vão assolar nossa cidade.
A adoção de medidas de combate à esta crise é extremamente complexa.
Complexidade, no entanto, não significa impossibilidade. A coordenação das medidas, orientada pela solidariedade, deve partir do reconhecimento de que a crise econômico-sanitária é de todos para que não dê lugar às inúteis e perversas segregação e à violência.
Assim, os comerciantes, de forma organizada, em movimento de busca conjunta de soluções sugerem algumas medidas para que a crise econômico-sanitária seja combatida e que apareça, rapidamente, uma oportunidade de saída.
Elas se alinham ao crescente consenso em torno da urgência de que o governo municipal tenha maior ousadia e adote, sem timidez, mas democraticamente, uma estratégia de franco diálogo, com as instituições representativas do setor produtivo local, envolvendo CDL, SINDIROCHAS, ASCOSUL, OAB, CREA, CAU E SINDICATO RURAL E SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS, e tantos outros.
O objetivo é dar segurança e criar o sentimento de pertença, para garantir o funcionamento das empresas sem prejudicar o combate à pandemia, buscando meios de diminuir o tempo de paralisação da economia com o isolamento social.
A segregação tem de ser evitada na máxima extensão possível para gerar oferta/consumo de produtos e serviços. Para tanto, é necessário agir com inteligência, sendo crucial para evitar o pânico.
É um imperativo, para a realidade de Cachoeiro que seja diminuído o tempo de fechamento do comércio, e sugerimos que o Prefeito envide esforços junto ao Governo do Estado para relativizar a extensão territorial do comando Estadual, mitigando seus efeitos nas cidades atingidas pelas chuvas e cheias de janeiro.
Se essas medidas forem implementadas, elas mirarão nas dificuldades urgentes de empresas e famílias, gerarão efeitos macroeconômicos positivos que poderão se perpetuar. Assim, se as empresas e famílias conseguirem pagar seus fornecedores, suas contas de água, luz e outros serviços, tributos e, principalmente, os salários de seus funcionários, as famílias e as empresas acabarão sendo beneficiadas pelo crescimento da renda.
Essa mitigação seria acompanhada da responsabilidade de cada comerciante incluir entre suas obrigações o fornecimento de máscaras, luvas e equipamento de segurança, higiene e limpeza para assegurar condições de trabalho e aumentar as condições para que as empresas voltem a funcionar sem que se tornem vetores que acelerem a transmissão do vírus. Trata-se de combater, simultaneamente o choque de oferta e demanda a partir da organização existente da produção.
Se o governo Municipal liderar essas ações com determinação e generosidade, a sociedade se tornará mais confiante, empresas e famílias quererão manter seus funcionários e pagarão suas despesas financeiras ligadas ao programa. As empresas fornecedoras de serviços públicos terão receitas garantidas e a arrecadação de tributos e contribuições será mantida, melhorando a saúde financeira de nosso município.
O problema que enfrentamos, tem solução: a mobilização dessa força produtiva até o limite máximo. As pessoas empregadas se sentiriam úteis e o nível de renda aumentaria. Mas, para insistir nesse ponto, a mobilização das forças produtivas não pode ser obstaculizada por exigências descabidas, sem base em evidencias cientificas.
Para tanto solicitamos analise e resposta aos pleitos abaixo:
Abertura do comércio, na segunda feira, dia 30 de março, com 40% do efetivo de funcionários, em regime de rodizio, dispensando os maiores de 60 anos;
Poderá ser ajustado diminuição do horário de atendimento, em caso de necessidade sanitária;
Renovação automática dos Alvarás de funcionamento, sem a imediata cobrança da taxa de fiscalização e a taxa de anúncio, que poderá ser parcelada, com o primeiro vencimento a partir de julho de 2020;
Aproveitamento dos valores resgatados do fundo do PROCOM para incentivar o comercio local, ou para subsidiar o pagamento de tarifas inerentes ao exercício da atividade empresarial;
Priorize a aquisição de bens e serviços de fornecedores locais;
Prorrogação de vencimento de ISS, IPTU e obrigações acessórias;
Permissão para que comercio trabalhe nos feriados de 21 de abril e primeiro de maio.
Reforce as medidas de segurança nas vias, para proteção do comércio;
Facilitação de meios para que os empresários efetuem seus cadastros de fornecedores de bens e serviço em nossa cidade, para que a prefeitura, por ser o maior consumidor de bens e serviços, adquirira e contrate diretamente de cachoeirenses.
É preciso reconhecer que será difícil ultrapassar essa crise econômico-sanitária. Os desafios urgentes são enormes e as possibilidades de superá-los com a eliminação completa de sacrifícios é uma esperança vã. Isso exigirá a um ambiente de confiança mútua, formado a partir da negociação política em um ambiente democrático, envolvendo todo o povo.
Ante todo exposto, renovamos nosso desejo de ver nossa cidade na trilha do desenvolvimento, comprometido com o bem estar social.”

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