Comissão Covid: superintendente de Saúde alerta para o risco da quarta onda

Comissão Covid: superintendente de Saúde alerta para o risco da quarta onda

Em audiência nesta segunda (3) na Comissão de Acompanhamento, Monitoramento e Enfrentamento à Covid-19, na Câmara de Cachoeiro de Itapemirim, o superintendente regional de Saúde do Sul do Estado, José Maria Justo, alertou para o risco de uma quarta onda a partir de junho.

“Se tivéssemos a vacina, todos os brasileiros já estariam vacinados. Mas, se não vacinarmos a população muito rapidamente, e a depender da disciplina social, corremos o risco de viver a quarta onda a partir de junho, muito mais letal e desumana afetando adultos jovens e pessoas ativas, que estão circulando”, alertou.

José Maria falou sobre o assunto ao responder questionamento do presidente da Câmara, Brás Zagotto (PV), sobre as perspectivas de final da crise.

A comissão é composta pelos vereadores Delandi Macedo (PODE- presidente), Junior Corrêa (PL-relator), Alexandre Andreza Macedo (PSB) e Mestre Gelinho (PSDB), e trabalha em parceria com a Comissão de Saúde da Câmara, também presidida por Delandi e composta ainda por Marcelinho Fávero (PL), Paulo Grola (PSB), Ely Escarpini (PV),Sandro Irmão (PSD) e Silvinho Coelho (Republicanos).

“O enfrentamento à pandemia precisa se pautar em três pontos: medidas extremas de controle da interação social, vacinação da população idosa e adulta e a capacidade de convergir no entendimento sobre o que estamos enfrentando e sobre quem é o nosso verdadeiro inimigo, sem pensamentos ideológicos e revanchistas”, disse o superintendente.

 O que ele disse?

Testagem da população

Segundo ele, ainda não há medida mais eficaz de rompimento da cadeia de transmissão do que a testagem, que pode levar os pacientes ao isolamento. Hoje, utiliza-se em grande escala o teste RT-PCR, cujo resultado pode demorar de 6 a 24 horas para ser conhecido.

Novos leitos

José Maria destacou que o governo tem como estratégia abrir novos leitos em todas as regiões, à medida que a pandemia avança. Hoje, o sul possui 187 leitos de enfermaria e 191 leitos de UTI para tratamento de Covid – dos quais 89 foram abertos nos últimos dois meses.

Terceira onda

“Vivemos a terceira onda, com o aumento assustador de casos e da taxa de transmissão no mês de março. Abril foi um mês terrível, com 283 óbitos”, avaliou, acrescentando que a transferência de pacientes para outras regiões é penoso para o doente e para o sistema, mas às vezes é necessário.

Taxa de ocupação de leitos

De modo geral, disse, a região sul tem mantido a taxa de ocupação de leitos em torno de 86%, havendo sempre pelo menos de 10 a 15 leitos de UTI disponíveis, e um número um pouco maior nas enfermarias. Segundo ele, os leitos serão mantidos mesmo com o abrandamento da pandemia.

Contágio

Para reduzir o contágio e a demanda por internações, o superintendente defendeu a necessidade de medidas mais extremas de controle da interação social lembrando que elas, embora assinadas pelo governador, são pactuadas pelos três poderes, com apoio dos gestores municipais. Para ele, um ambiente de convergência, de debate aberto, ajuda o estado a vencer a doença.

 Kit intubação

Respondendo ao vereador Junior Corrêa sobre recentes rumores da falta do kit intubação, apesar da aquisição de 18 mil unidades pelo governo estadual, Justo esclareceu que os medicamentos não chegaram a faltar. O que ocorreu é que o hospital de Itapemirim anunciou que seu estoque estava no final, e, após algumas horas, foi feita a reposição, sem prejuízo de qualquer atendimento.

Mudança no vírus

Ele também aproveitou para esclarecer que a dificuldade de planejar o número necessário dos kits tem aumentado, pois nesta terceira onda o perfil da doença mudou: o tempo de internação é maior e estão sendo atingidas pessoas mais jovens e obesas, que precisam de mais medicamento. Além disso, houve um aumento radical e muito repentino da necessidade de intubação e, portanto, do consumo de medicamentos. Ele ainda informou que, para que os hospitais possam cobrir esses novos custos, bem como o aumento das despesas médicas, o governo do estado está pagando um valor maior pela diária do leito de UTI.

Tratamento precoce

O vereador Marcelinho Fávero questionou ao superintendente se não seria o caso de abrir um diálogo mais profundo com os profissionais sobre o uso de medicamentos para o chamado tratamento precoce.  “Não tentar é uma covardia”, disse.

Para Justo, no entanto, existe um protocolo de tratamento definido pela Secretaria Estadual de Saúde. Segundo ele, os médicos avaliam se os benefícios que determinado medicamento trará ao paciente são maiores que os riscos. No caso do tratamento precoce, não há nenhuma garantia de benefício, e o médico pode expor o paciente ao risco e ser penalizado. “Por isso, é o médico que escolhe se prescreve ou não”, afirmou.

 Horário do comércio

O presidente da Comissão Covid, Delandi Macedo, mostrou sua discordância em relação à diminuição dos horários do comércio imposta pelo governo estadual, já que isso aumenta a aglomeração de clientes, bem como a redução do número de ônibus aumenta a aglomeração de passageiros. Justo afirmou que essa linha de raciocínio pressupõe “um conjunto de seres ingovernáveis, que não adotam as orientações”, e que o importante dessa norma é que ela ajuda a conscientizar as pessoas sobre a necessidade de reduzir as saídas à rua.

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