Instalações provisórias do SML de Cachoeiro

Corpos de mãe e filha mortas em Marataízes ainda estão no SML, 41 horas depois

Corpos de mãe e filha mortas em Marataízes ainda estão no SML, 41 horas depois
Corpos de mãe e filha mortas em Marataízes ainda estão no SML, 41 horas depois
Anete Lacerda

“É uma humilhação. E não é pouca não. O corpo no carro, a gente aqui passando por isso diante de tanta dor. Mas não tem jeito, infelizmente a gente só pode esperar”.

As palavras são de Flávio Lemes Gonçalves, que ainda aparenta estar em estado de choque após a perda da irmã Charlene de Lemes Gonçalves e da sobrinha Isaquielly Júnia Gonçalves de Araújo, assassinadas em Marataízes na noite de terça-feira(15).

Ele aguarda a liberação dos corpos no Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro, que está em reforma, o que levou ao acondicionamento do corpo num carro de perícia, e lamenta que mais de 42 horas depois do assassinato, ainda não haja previsão de quando serão liberados e de quando a irmã e a sobrinha poderão ser veladas e enterradas.

Flávio conta que foi informado de que não existe médico legista no plantão, e que a notícia que recebeu é que um chegaria pela manhã desta quarta-feira (17), o que ainda não tinha acontecido até por volta das 12 h.

Valmir Colombino, avô paterno de Isaquielly, também lamenta a demora. “O Estado tem que tomar providências. O tio dela está lá, mas estamos todos aqui sofrendo e aguardando. Eu, a avó, a família toda”, destaca.

O homem esclarece que a informação que recebeu é de que existem sete corpos para serem necropsiados, e que os da neta e da mãe serão um dos últimos porque o trabalho é pela ordem de chegada ao SML.

 

A história se repete

Danieli Alves Marchesi perdeu o pai num acidente no último domingo (12), quando ele colidiu a moto que pilotava num veículo na BR-262, na altura de Marechal Floriano.

Ele chegou morto ao hospital de Domingos Martins e a família foi informada que o corpo seria encaminhado ao Serviço Médico Legal de Cachoeiro, distante cerca de 108 km, quando o correto seria levá-lo para o SML de Vitória, que fica a apenas 48 km do município do acidente.

“ A informação é que precisaríamos ir para Cachoeiro porque o SML de Vitória não tinha médico legista. Mas não havia rabecão para fazer o translado e tivemos que pagar a funerária para fazer isso”, informa Danieli.

Ela conta que às 8h30 já estavam em Cachoeiro e que o médico só chegou às 10h, mas só foram liberados por volta das 14h30. Ela foi a primeira a chegar, mas logo o local já estava cheio de familiares que também esperavam a liberação do corpo de algum parente,

Relata que a garagem onde o carro da funerária deveria entrar para o reconhecimento do corpo estava cheio de andaimes porque o SML está em obras, o que aumentou ainda mais o tempo de espera.

Destacou inclusive que teve que lidar com a brincadeira de mal gosto de um dos pedreiros, que disse que a entrada da garagem só seria liberada por volta das 17h, o que aumentou ainda mais o estresse.

“Falei com ele que ali dentro do carro da funerária estava o corpo do meu pai. Ele ficou sem graça e disse que ia tentar agilizar o serviço quando voltasse do almoço”.

Danieli ressalta que estava sem dormir e sem comer desde a madrugada de domingo e que passou  boa parte do tempo sentada do outro lado da rua, sem beber, sem lugar para sentar, porque não há bebedouro nem banheiro para as pessoas que esperam.

“A gente tem que ficar sentada na calçada. Já é uma situação ruim e passar por um transtorno desse piora a situação da gente. O lugar é horrível. O tratamento também”.

O enterro estava programado para as 16h da segunda-feira, mas ela diz que ao ver o médico e insistir por informações sobre a hora de liberação do corpo, foi mal tratada por ele.

“Ele disse que ali onde estava só liberaria informação para a Polícia e que eu devia aguardar o tempo que ele precisasse. A gente precisa de atenção e respeito. Mas não é isso que a gente encontra”.

Questionada sobre a dificuldade das famílias, a Polícia Civil (PC) informou que o concurso público, cujo curso de formação está em andamento, permitirá a contratação de profissionais de diversas categorias, incluindo 76 peritos oficiais criminais e 50 auxiliares de perícia médico-legal, o que vai contribuir para a recomposição dos quadros da corporação.

 

Veja a nota da Polícia Civil na íntegra:

 

A Polícia Civil informa que trabalha para garantir todos os serviços em funcionamento à população. Em dias em que não há médico legista no plantão, existe a possibilidade de realizar a liberação, em casos de menor complexidade, no plantão subsequente do Serviço Médico Legal, sem necessidade de deslocamento. Em alguns casos, por opção das famílias, o corpo pode ser enviado ao DML, em Vitória, para a liberação. Entretanto, o deslocamento até Vitória só é imprescindível quando são necessários exames mais complexos, que não podem ser realizados nas unidades do Serviço Médico Legal (SML) do interior do Estado.

Destacamos que o concurso público da Polícia Civil, cujo curso de formação está em andamento, permitirá a contratação de profissionais de diversas categorias, incluindo 76 peritos oficiais criminais e 50 auxiliares de perícia médico-legal, o que vai contribuir para a recomposição dos quadros da corporação.

 

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