Tiago Leifert é jornalista e apresentador do Big Brother Brasil

Há fogo no Parquinho

Há fogo no Parquinho

Ultimamente, tenho assistido, com frequência, aos programas televisivos. Diariamente, fiquei muito ligado a um desses programas que promovem o confinamento de pessoas numa casa muito bem montada e explorando a alta tecnologia. Refiro-me, querido internauta ao Programa BBB exibido por uma das emissoras de televisão, que imagino esteja monopolizando esse horário.

Quero deixar bem claro , esse programa nunca tinha me despertado atenção, embora esteja na 21ª edição. Esporadicamente, eu o via por alguns minutos.

Porém, este ano, pelo fato de estar vivendo esse momento deprimente, angustiante e triste da Pandemia, mordi a isca e fui fisgado.

Isso não significa que eu não tivesse outras atividades para fazer. Muito pelo contrário, tenho várias, principalmente, esta de escrever, a qual me permite fazer a catarse e pulverizar meus sentimentos.

Pois é, enquanto assisto a esse programa, fico mais uma vez a questionar valores; os relacionamentos grupais e observando o que alguns seres humanos são capazes de fazer pelo dinheiro. O prêmio a ser concedido ao vencedor é de R$ 1.500.000. “Ao vencedor, as batatas”, frase extraída do livro de Machado de Assis, “Quincas Borba”. Nesse livro, o escritor narra a trajetória de Rubião, professor que se torna rico de uma hora para outra ao receber uma herança deixada pelo filósofo Quincas Borba.

Após receber a herança, Rubião deslumbra-se com a nova vida e acaba traído por um casal de amigos, que rouba sua fortuna. No final de vida, pobre e doente, ele relembra um ensinamento de Quincas Borba.

Para explicar sua teoria, o filósofo evoca uma história sobre duas tribos, famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com energias repostas. Os vencedores podem transpor as montanhas e chegar a um campo onde há grande quantidade. Então, Quincas Borba finaliza: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

Quincas Borba faz o seguinte comentário: “A Paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação.” O homem comemora aquilo que lhe é vantajoso ou aprazível, ainda que isso implique a ruína de outros.

Considerando ainda o prêmio ofertado pelo programa. Quem o arrebata, dizem que, supostamente, torna-se consagrado, porque pôde estar na telinha dessa emissora de televisão, considerada, por alguns, como nobre. Ainda quero entender o significado de nobreza.

Às vezes, fico imaginando como pude me envolver tanto assistindo ao programa, tamanho é o meu envolvimento que acabei memorizando o nome dos participantes, lugar de origem e profissão. Assistimos a ele em dois, eu e meu filho. E, depois que o programa acaba, ficamos comentando, debatendo, torcendo para determinado participante, fazemos questionamentos e reflexões.

A temática do programa está centrada num jogo. Em se tratando de jogo, sempre há aquele que joga melhor, tem suas habilidades, maneja bem o instrumento do jogo e utiliza toda sua inteligência, raciocínio e perspicácia para desempenhá-lo.

Enquanto há outros que desprovidos de habilidades, com simplicidade e ausência de malícia, acabam se saindo mal durante as partidas.

E há outros, ainda, que jogam sem determinação, ou fingem jogar, fazem de conta que jogam e parecem ficar em cima do muro. Mas, por detrás destes que está o perigo, porque articulam, são ardilosos. Tentam persuadir os adversários. No fundo, sabemos que também têm em mente tentar conseguir a vitória e arrebatar o prêmio.

Terrível ver, no programa, pessoas que gostam de macular a imagem do outro; desfazer do próximo; humilhar, subestimar e desvalorizar o ser humano em sua totalidade. Triste ver como há falta de caráter e de personalidade nas decisões tomadas. Infelizmente, nesse universo em que vivemos, contemplamos esses tipos de pessoas.

O apresentador do programa ressuscitou uma espécie de jargão “ fogo no parquinho”. E os participantes adotam literalmente esse jargão e acabam extrapolando seus sentimentos ofendendo e magoando o outro.

Esse programa, para mim, não é classificado como um entretenimento sadio, já que é capaz de acirrar os nervos, propagar a discórdia em algumas pessoas  as quais assistem a ele, fatos que, instantaneamente, são estendidos pelas mídias eletrônica e impressa.

Fora da casa, o fogo continua queimando no parquinho e fazendo devastações em vários contextos do nosso cotidiano. Lamentavelmente, algumas pessoas continuam trazendo lenha para, cada vez mais, aumentar a fogueira.

E assim a vida continua com a grande inversão de valores. Nem tudo está perdido. Ainda existem pessoas que, com sua Arte, são capazes de nos passar lições de vida as quais nos conclamam a prática da paz, a ajudar a apagar o fogo ardente do parquinho, como se pode ver em algumas partes na letra dessa música de Gilberto Gil: “ A Paz invadiu o meu coração/ De repente me encheu de paz/ Como se o vento de um tufão/ Arrancasse meus pés do chão/ Onde eu não me enterro mais/ Eu pensei em mim/ eu pensei em ti/ Eu chorei por nós/ Que contradição a guerra faz/ Nosso amor em paz.”

O rei Salomão no livro de Provérbios, no capítulo 27, versículo 17, diz o seguinte: “Como o ferro com o ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo.”

Parafraseando o versículo, temos a seguinte ideia de que as pessoas crescem ao interagirem entre si, ajudando umas as outras.

 

 

Professor de Língua Portuguesa e Literatura aposentado. Graduado em Letras e pós-graduado, especialização em Práticas e Dinâmicas do Ensino Superior. Cachoeirense, reside atualmente em Curitiba
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