Figurinha famosa nos domingos do Dia a Dia, nossa colunista Olivia Batista de Avelar acaba de lançar mais um projeto. Denominado Leia Mulheres, a proposta é dar luz às obras literárias produzidas por escritoras de todo país.
Como diz a própria idealizadora, a ideia do projeto é mostrar para a sociedade e para os leitores a qualidade, a diversidade e a vibrante literatura nacional contemporânea que vem sendo produzida por mulheres.
Inicialmente, o projeto contempla cinco obras, que foram selecionadas em parceria com o Coletivo Escreviventes após avaliarem mais de 50 livros inscritos.
Uma vez por mês, nossos leitores vão poder conhecer melhor cada livro selecionado, as reflexões feitas pela nossa colunista após ler a obra, a forma como o texto a impactou e a relação com temas atuais da sociedade.
Conheça um pouco mais sobre nossa colunista e sobre o projeto Leia Mulheres na entrevista abaixo.
Dia a Dia: Pode explicar um pouco mais sobre a origem desse projeto Leia Mulheres? Como ele surgiu?
Olivia Batisa de Avelar: Escritoras brasileiras, principalmente as que publicam de forma independente ou em editoras pequenas, percebem as dificuldades que surgem depois da publicação. O mercado editorial ainda é bastante fechado, restrito às obras de autores mais famosos e às traduções de língua inglesa. Nesse sentido, existem muitos coletivos de escritoras que têm trabalhado diariamente para divulgar seus livros e chegar a mais leitores.
Visto que esse trabalho acaba ficando mais restrito às trocas via redes sociais, o Projeto Leia Mulheres tem como objetivo dar visibilidade às autoras em veículo formal de notícias, em uma Coluna Literária
Qual é a ideia do projeto? O que você propõe com essa iniciativa?
A ideia é possibilitar às escritoras mais um meio de divulgação para suas obras. A proposta é mostrar para a sociedade e para os leitores a qualidade, a diversidade e a vibrante literatura nacional contemporânea que vem sendo produzida por mulheres.
Como estão sendo feitas as seleções dos livros?
A seleção foi feita em parceria com o Coletivo Escreviventes – através de formulário enviado no grupo do coletivo, as autoras inscreveram suas obras, enviando informações pessoais e sinopse dos livros. Foram mais de 50 livros inscritos
Quais critérios vc tem adotado para selecionar os livros?
Os critérios para seleção das obras foram, para as cinco vagas oferecidas pelo projeto, contemplar diferentes gêneros literários – poesia, prosa, ficção e não ficção, autoras de diferentes faixas etárias, com prioridade para autoras com mais de 40 anos, visto que escritoras mais velhas encontram ainda mais barreiras para participarem de editais de chamadas para publicação e, também, a escolha de livros de autoras de diferentes estados brasileiros, possibilitando que autoras de estados do Norte, Nordeste e Sul do país, por exemplo, possam também ser conhecidas no nosso estado.
Inicialmente os artigos deste projeto serão publicados com qual periodicidade?
Os artigos serão publicados mensalmente. Serão cinco artigos – um sobre cada um dos livros selecionados.
O que o leitor vai poder encontrar nesses artigos?
Meu estilo de escrita se manterá, o leitor encontrará nos artigos reflexões que surgiram à partir do livro lido, questionamentos de como a obra me impactou, sua relação com os temas atuais da sociedade, com outros livros e outros autores e também com o cinema. Gosto de explorar a conversa que cada livro propõe, a literatura como ponte.
Mais alguém participa desse projeto contigo?
De início, o projeto foi proposto para o Coletivo Escreviventes – um espaço para agregar escritoras e promover a escrita e a leitura de mulheres. Atualmente, reúne 451 mulheres de todo o Brasil e de várias faixas etárias e momentos da carreira. O coletivo funciona virtualmente, com todas as atividades voluntárias e gratuitas. A escritora Carla Guerson, idealizadora e fundadora do coletivo, é Capixaba e reside em Vitória.
As atividades e alguns textos produzidos pelo Coletivo são divulgados no Instagram: https://www.instagram.com/coletivoescreviventes/ Durante a escolha dos livros, a atriz e produtora cultural Amanda Malta, juntamente com a Casa Carmô, também abraçaram a ideia – esse espaço cultural de Cachoeiro disponibilizará os exemplares doados pelas autoras em sua biblioteca, uma forma das autoras alcançarem ainda mais leitores. E claro, conto sempre com o apoio do Jornal Dia a Dia, que é imprescindível para a divulgação cultural do nosso estado.
Falando um pouco mais sobre você, como consegue se organizar para cuidar de todas atividades que participa, como o Clube de Leitoras, Secreta Luz e agora o Leia Mulheres? Desde quando percebeu o desejo de poder militar nessa área da cultura?
Na verdade, todos os projetos se complementam e são a realização da vontade que tenho desde de criança, que é ser escritora. Ler e escrever são a minha rotina diária. Quando comecei a dedicar mais tempo para esse ofício, percebi que outras ações eram importantes e necessárias, minhas dificuldades como autora mulher também são a de muitas outras escritoras. Meu livro Azul da Prússia – Editora Folheando, 2022 – foi divulgado gratuitamente por leitoras e escritoras do Espírito Santo e de outros estados. Isso me motivou a trabalhar da mesma forma, lendo e divulgando mulheres.
Acredito que dessa forma coletiva, abriremos juntas mais espaço no mercado editorial e todas chegaremos às estantes de mais leitores e leitoras.
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