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Leitura em queda: 53% dos brasileiros não leem livros, aponta pesquisa

Estudo revela que o hábito da leitura e a capacidade de compreensão diminuíram no país, acendendo alerta para o analfabetismo funcional.

O hábito da leitura está em declínio no Brasil. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro e do Ministério da Cultura, 53% dos brasileiros não são leitores.

Ou seja, não leram nenhum livro nos últimos três meses. O levantamento foi divulgado durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, celebrada em outubro.

Atualmente, o país tem cerca de 93,4 milhões de leitores, o equivalente a 47% da população, oito pontos percentuais a menos que em 2007, quando o índice era de 55%.

Queda na compreensão e aumento do analfabetismo funcional

Além da redução no número de leitores, a pesquisa mostra piora na compreensão e concentração durante a leitura.

Em 2024, 36% dos entrevistados relataram dificuldades para se concentrar, e o percentual de quem afirma não ter paciência para ler subiu de 18% (em 2007) para 40%.

Para especialistas, esses dados evidenciam o avanço do analfabetismo funcional, quando a pessoa reconhece letras e números, mas não consegue interpretar textos simples nem usar a leitura no dia a dia, como define a Unesco.

“Colapso silencioso”, diz senador

Em pronunciamento recente, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) alertou para o impacto da falta de políticas públicas de leitura.

“Milhões de alunos frequentam a escola, mas não aprendem o mínimo. Alfabetizar bem significa libertar. É dar à criança o poder da palavra e o acesso à vida plena em sociedade”, afirmou.

Redes sociais e distração reduzem o gosto pela leitura

A falta de foco e o excesso de estímulos digitais estão entre os principais fatores do desinteresse.

Para o professor Adauto Garcia Júnior, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp), o consumo rápido de informações nas redes sociais “rouba” o tempo dedicado aos livros.

O percentual de brasileiros que “gostam muito” de ler caiu de 31% (em 2019) para 26% (em 2024).

Já os que afirmam não gostar de ler cresceram de 22% para 29%.

Crianças leem mais, idosos leem menos

O levantamento mostra que o gosto pela leitura é maior entre crianças (87%) e diminui com a idade.

O estudo aponta também que apenas 57% dos brasileiros com mais de 50 anos declaram gostar de ler.

Entre os principais motivos para ler estão prazer pessoal, distração e busca por conhecimento, enquanto a leitura obrigatória (escolar ou profissional) aparece com pouca relevância.

Audiobooks e livros digitais ganham espaço

Mesmo com o avanço das telas, o livro impresso ainda predomina: 57% dos leitores preferem o formato físico, enquanto 22% optam pelo digital.

Os audiobooks também ganham força, uma vez que 23% dos brasileiros já escutam livros, segundo a pesquisa.

Especialistas os veem como alternativa inclusiva e uma forma de estimular o contato com a literatura em meio à rotina corrida.

Bibliotecas públicas perdem espaço

As bibliotecas públicas também enfrentam crise de frequência. Apenas 5% dos entrevistados afirmaram ter nesses espaços sua principal forma de acesso a livros.

Além disso, 75% dos brasileiros nunca frequentam bibliotecas, contra 68% em 2019. Quase metade da população diz não ter uma unidade próxima de casa.

Políticas públicas tentam reverter o cenário

Para enfrentar o problema, tramitam no Congresso propostas como o PL 286/2024, que fortalece bibliotecas e a Política Nacional de Leitura e Escrita, e a criação do Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares (SNBE), aprovado em 2024.

A meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE) também é garantir alfabetização plena até o segundo ano do ensino fundamental.

“Nenhum investimento é mais transformador que o feito em educação de qualidade”, defende o senador Confúcio Moura.

Fonte: Agência Senado

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Uma resposta

  1. Boa noite.
    Concordo com a ideia de mais investimentos em políticas públicas para a educação! Em especial a leitura.
    Mas, porém, contudo, todavia, não obstante educação, e saúde são “pastas” que mais roubadas, em todos os governos!
    Então não sei se esta medida, estratégia pública irá pra frente, mesmo sendo implementada!

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