Liderança rural aponta ações para conter roubos de gado em Cachoeiro

Liderança rural aponta ações para conter roubos de gado em Cachoeiro
Redação Dia a Dia

Caso fosse implantado o Plano Rodoviário Municipal (PRM), elaborado em 2011 pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiro e com a Universidade Federal de Viçosa, o problema do roubo de gado na região poderia diminuir.

Com o plano implantado, seria possível providenciar o videomonitoramento das estradas vicinais e promover maior interação entre as forças policiais. Quem afirma é o presidente do Sindicato Rural, Wesley Mendes.

“Cachoeiro já fez o dever de casa através do censo rural e da criação de estratégia e estudo de logística. Nossa cidade se antecipou”.

Mendes avalia ainda que talvez Cachoeiro seja a única cidade do Espírito Santo que georreferenciou 100% das estradas vicinais.

“Somos pioneiros. O PRM já existe e prevê a identidade de todas as estradas, com latitude e longitude. Estamos vários passos à frente para resolver o problema”, assegura.

Segundo ele, o problema de roubo de gado nas 3 mil propriedades rurais de Cachoeiro tem se agravado e é preciso tentar amenizar essa situação e dar uma sensação de segurança aos produtores.

“O roubo de gado não é novidade. E sinceramente acho que não vai acabar. Mas a grande novidade é a sensação de impotência, o isolamento e a insegurança como nunca sentimos antes”.

Mas Wesley Mendes pontua que não é hora de buscar culpados, mas de ser propositivo e estar ao lado de todas as autoridades para que o homem do campo faça parte da solução e não do problema.

Segundo ele, desta vez a preocupação aumenta diante da nova modalidade de roubo de gado, que é entrar e roubar bezerras de leite à noite, pequenos animais que o pecuarista recolhe para serem bem cuidados por serem frágeis.

“Esse ato é praticado por especialistas, pessoas que conhecem a rotina dos currais. São roubados porque estão mais acessíveis”, enfatiza.

Wesley Mendes aponta como causa principal do aumento do roubo de gado na região o tráfico de drogas, principalmente no caso em que o animal é morto, já que, ressalta, eles matam e vendem a carne certamente para o consumo de drogas.

“É latente, é público e notória a presença de traficantes. A gente sabe que a Polícia Militar combate, investiga, mas isso leva tempo”.

 

Subnotificação
O presidente do Sindicato rural faz um pedido aos produtores rurais: que notifiquem todo crime que ocorrer na propriedade, seja pelo boletim eletrônico ou pessoalmente nas delegacias.
“A subnotificação (notificação abaixo da realidade, já que nem todos os casos são notificados) causa um problema seríssimo. Qualquer estratégia de segurança é baseada em dados. Sem dados não temos nem como comprovar se houve o crime. Nem nos dados de prestação de contas nós aparecemos, o que é algo que me preocupa muito”.
Mendes destaca ainda que o pedido de todos é por cidadania, dignidade e por inteligência maior dos órgãos de segurança constitucionalmente responsáveis.

 

Grupo de Trabalho
Wesley Mendes fala de um Grupo de Trabalho (GT) formado pelo Poder Público com representantes do setor produtivo, dos dois sindicatos, das cooperativas de agricultores familiares, do Incaper, junto com as forças de segurança, incluindo a Guarda Municipal, todos coordenados pela secretaria municipal de Segurança Pública.

“O prefeito Victor Coelho recebeu o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. Mostramos a ele que a situação era grave e ele determinou um trabalho contínuo nesse sentido”, informa.

A função do GT seria traçar ações de curto, médio e longo prazo, ressalta Wesley. “A curto prazo precisamos dar a sensação de segurança ao produtor, estancar o crime e a sangria”.

Mais que isso, diz ele, videomonitorar as estradas vicinais e promover maior interação entre as forças policiais.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, o GT está se debruçando sobre uma estratégia logística para videomonitorar as principais saídas, e o estudo já está acontecendo.

Todos estariam se preparando para fazer o mapeamento de todas as vias. “Precisamos de mais segurança, mais patrulhamento e de mais videomonitoramento. Pagamos nossos impostos e precisamos ver os resultados no nosso dia a dia”, conclui.

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