Letícia viajou por várias estradas do país. Foto: acervo pessoal

Mãe de três filhos, caminhoneira desbrava rodovias do país

Mãe de três filhos, caminhoneira desbrava rodovias do país

Os motoristas que percorrem com frequência a BR 101 entre o Espírito Santo e São Paulo nos últimos três anos podem ter cruzado com uma cachoeirense ao volante do seu caminhão transportando chapas de granito.

É Letícia Reis, de 31 anos, mãe de três meninos. Mas pode chamar de Poderosa, seu QRA(apelido) da estrada. Conta que se interessou pela profissão,  tirou a habilitação, mas só começou a dirigir profissionalmente após ser abandonada pelo companheiro com os filhos ainda pequenos.

“Quando ele me deixou, entrei em desespero porque tinha três crianças para criar e não sabia de onde tirar o nosso sustento. Quando comecei a dirigir meus filhos tinham dois, oito e 12 anos”.

A afinidade com a estrada se intensificou com o atual marido, Jhonatas Bonato, o QRA Vampiro, que também é caminhoneiro e com quem viajou por quase um ano e aprendeu tudo que sabe sobre o transporte de carga pesada.

Após esse período, se  profissionalizou e passou a tirar o sustento da estrada.  A motorista relata que até dirigir sozinha, viajou com amigos que estavam com a carteira suspensa ou vencida.

Vaidosa, carrega o estojo de maquiagem, mas nos dias mais corridos usa apenas batom. Já tem postos escolhidos em que se sente segura para tomar banho. Conta que encontra poucas caminhoneiras, geralmente em caminhões baú.

“Não é comum mulheres transportarem chapas de granito. As pessoas acham que uma mulher não é capaz de fazer esse transporte  por ser mais pesado e trabalhoso”.

Uma coisa em especial a incomoda nessa vida na boleia de um caminhão: o preconceito em relação à capacidade da mulher. “ Tenho sempre que trabalhar dez vezes mais para provar que sou competente e capaz”.

Letícia enfatiza que não quer as pessoas ligando os erros que por acaso cometer ao fato de ser mulher. “Se errar, é porque o erro é humano. Não por falta de capacidade ou competência. Mas em função dessa preocupação me cobro demais o tempo todo”.

 

Assédio

Fora o fato de ter que ser firme  e dedicada para refletir capacidade, a caminhoneira cachoeirense diz que não é assediada na estrada.

Aponta, contudo, o ciúme das mulheres dos caminhoneiros como o grande problema que enfrenta. “Na cabeça delas eu estou na estrada querendo o marido delas, o que é lamentável”.

Apesar dos desafios que a estrada impõe, Letícia dá um conselho a outras mulheres que sonham em dirigir um caminhão e pegar a estrada.

“ Não desistam. Vão falar mal. Vão por em dúvida o motivo de querer estar na estrada.  Vão duvidar que você seja capaz. Numa seleção vão escolher homens menos preparados que você. Mas siga em frente. Que isso sirva de incentivo para você se qualificar e vencer. Fácil não é. Mas é possível”.

O Instagram de Letícia é @poderosaCaminhoneira

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