Mães preocupadas com possível fechamento de escola em Ibitirama

Mães preocupadas com possível fechamento de escola em Ibitirama
Redação Dia a Dia

As mães da comunidade de Pedra Roxa, em Ibitirama, estão preocupadas com a possibilidade de fechamento do Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Vovó Loló, no município de Ibitirama.

Tathiana Carvalho da Silva, 41 anos, diz que a filha estuda a tarde e que ficaram sabendo essa semana da suspensão de novas matrículas no local.

“A Secretaria de Educação falou que não quer fechar, apenas suspender as matrículas até ter novas crianças”, conta Tathiana.

“Não queremos fechar. Várias outras crianças moram mais perto de Pedra Roxa do que de Santa Marta e São José, que é para onde elas estão sendo remanejadas porque o transporte não é feito para Pedra Roxa”, lamenta.

Ela diz que com a falta de transportes, as crianças não tem como se deslocar para a CMEI Vovó Loló e as famílias acabam optando por escolas da região atendidas pelo transporte escolar.

“Uma coleguinha da sala da minha filha tinha que vir caminhando com a mãe todos os dias por  2 km e acabou sendo tirada da escola porque é muito cansativo”, relata.

Outra mãe que mostra preocupação é Sueli Pirovani Cassiano da Luz, 34 anos. Ela diz que está junto com as outras mães porque não quer a filha, de cinco anos, se deslocando para outra comunidade para estudar.

“Ano que vem minha filha terá seis anos. Mas como a gente coloca uma criança dessa idade num ônibus para enfrentar estradas cheias de barro durante 4 km, ou 10 km em asfalto em péssimas condições”, questiona.

Segundo ela a preocupação aumenta porque os ônibus tem monitor num dia, e em outros não tem. “Eu fico indignada. Porque uma comunidade que tem umas mil famílias não pode ter uma escola?”, pergunta.

Segundo Sueli, a comunidade já não tem quase nada. “Temos um postinho sem médico, a ponte interditada há dois anos já e a escolinha e a creche. E agora querem tirar isso de nós. Não tem lógica isso”, reclama.

Outra mãe de 31 anos, que prefere não ter o nome revelado, diz que teve que colocar a filha em outra escola por não ter transporte que leva as crianças para a comunidade de Pedra Roxa.

“Minha casa é a 2 km de Pedra Roxa. Como não tinham transporte para lá, tive que colocar ela em Santa Marta por ter um ônibus que passa perto”, explica.

Ela lamenta que desde os seis anos a filha (que hoje tem oito anos) tenha que enfrentar estrada por causa da falta de transporte escolar para perto de casa.

 

Secretária de Educação incentiva matrículas em Pedra Roxa e diz que Vovó Loló não será fechada

A secretária de Educação de Ibitirama Aline Verzilo Mataveli diz que a CEMEI Vovó Loló não está funcionando esse ano devido à pandemia, mas que 80% dos Cemeis voltaram a funcionar em setembro no município.

Ela diz que para o ano de 2022 este CEMEI volta a funcionar e que a equipe da Secretaria de Educação esteve na comunidade há cerca de 20 dias, mas só tiveram 11 matrículas.

Por isso o vovó Loló estará funcionando somente com uma turma mista. Já para a Artulino Xavier, que só tem cinco alunos, o ideal para o seu funcionamento são no mínimo turmas de 15 alunos, informa a secretária.

“A própria comunidade precisa estar ciente disso. Mas em nenhum momento a hipótese do fechamento da Vovó Loló foi levantada’, enfatiza.

Segundo Aline, na segunda (6), terá reunião com os pais para conversar sobre o assunto. Mas a secretária admite a hipótese de fechamento da Escola Pluridocente Artulino Xavier, onde não foram feitas novas matrículas.

“A escola precisa de alunos para se manter viva. Não posso funcionar com cinco alunos. Se houver mais matrículas a Artulino volta”, garante.

Aline esclarece que até o início das aulas, no dia 3 de fevereiro de 2022, podem ser feitas novas matrículas. “Espero que haja mais alunos. Estamos na secretaria para fazer as matrículas das 8h às 17h”, enfatiza.

Quanto à falta de transporte para os estudantes, ela diz que para a Artulino Xavier há transporte escolar, mas não para os Centros de Educação Infantil.

Segundo ela, a lei obriga a oferta da vaga na educação infantil, mas não do transporte escolar. “A lei diz que a criança pode andar até 3 km para chegar à escola mais perto”, esclarece.

Questionada sobre a possibilidade do ônibus da Escola Artulino Xavier levar os alunos dos CEMEI’S, ela diz que infelizmente isso não é possível.

“Todas as crianças são cadastradas e na hipótese de um acidente, há complicações para a Secretaria de Educação e para o motorista”, explica.

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