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O papel da amizade ao longo da vida

O papel da amizade ao longo da vida
Thaís Rangel Damasceno

ARTIGO: Thaís Rangel Damasceno é psicóloga, psicoterapeuta, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Servidora pública na rede SUS.

 

A amizade é um dos vínculos mais significativos e importantes que podemos estabelecer. Na literatura científica é reconhecida como uma importante fonte de felicidade e bem-estar, afinal, através dela é possível compartilhar diversas experiências, interesses e sentimentos. É afeto gratuito e recíproco.

Um amigo desfruta e se diverte na companhia do outro. Amizade é reciprocidade acima de tudo. Dizem inclusive, que a grande diferença entre o amor e a amizade é que não se pode haver amizade sem reciprocidade, não se pode ser amigo de quem não quer sê-lo. Já o amor… Pode ser unilateral.

Sabe-se que as relações de amizade auxiliam o indivíduo a desenvolver importantes habilidades sociais ao longo do ciclo vital, como por exemplo: iniciar e manter uma conversa, cumprimentar, elogiar e aceitar elogios, aguardar a vez para falar, respeitar regras, desenvolver empatia, entre outros. A ausência de laços de amizade pode se configurar como fator de risco para problemas emocionais e comportamentais.

Na infância, a amizade tem um importante papel na socialização da criança. Os amigos apresentam um mundo que vai além daquele conhecido no seio familiar. As crianças aprendem juntas através de jogos e brincadeiras, internalizam regras e outras habilidades.

Durante a adolescência, as relações com os amigos constituem um dos principais fatores para a construção da identidade e para as definições dos próprios valores e opiniões. Os amigos desempenham um papel de destaque nesse período.

Chegando a vida adulta, com as novas obrigações, demandas, desejos e prioridades, costuma-se passar menos tempo com eles. Mas a sua importância não diminui. O grupo tende a ser mais seleto, até mesmo, pela dificuldade de manter o convívio.

Durante a velhice, a amizade ganha importância e afasta a solidão.  Amizades sólidas e confiáveis são mais determinantes para a boa saúde e felicidade da pessoa idosa do que a relação com a própria família. O vínculo familiar continua importante, mas os amigos são uma escolha, são pessoas que conquistaram seu espaço na vida do sujeito. A interação social é um fator protetor no envelhecimento ativo e saudável.

Independente da fase da vida que nos encontramos, os amigos são sopro de alegria, alívio de tensão, colo, sorriso e lágrimas. São nossa história, nossa memória viva. Um amor fraternal, um encontro que pode durar um período ou a vida toda.

Vai além de cliques, curtidas e felicitações pontuais, são laços cultivados com dedicação e tempo. É preciso cativar e permitir ser cativado.

No dia 20 de julho, comemora-se o dia internacional da amizade, aproveite esse momento e celebre a data com o amigo de perto, ou de longe. Aproveite para exercitar mais uma habilidade: a de comunicar seus sentimentos. Faça contato, demonstre afeto, reacenda os laços. Que seus amigos sintam e saibam o quanto são especiais e importantes para você.

Thaís Rangel Damasceno é psicóloga. Foto: Acervo pessoal
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