Paulo Henrique Thiengo. Foto: Acervo pessoal

O passado do futuro – Parte 2

O passado do futuro – Parte 2

ARTIGO: Paulo Henrique Thiengo, engenheiro agrônomo, pesquisador de ferrovias e preocupado pelo futuro de Cachoeiro e região. E-mail: [email protected]

 

Com o prefeito seguinte, José Tasso, até tentei argumentar novamente sobre a proposta, mas escolhi um péssimo dia (iria viajar para o RJ para fazer uma cirurgia) e local (sua casa, então próxima ao fórum). Depois de me ouvir atentamente e convidar para o jantar, me deu uma bronca do qual me lembro até hoje.

Voltando ao cargo, Ferraço promoveu a erradicação destes trilhos, que foram cortados a maçarico a cada 20 metros e separados dos dormentes com tratores de esteiras. Pelas contas que fiz, considerando-se os trilhos TR 37 (37 kg/metro corrido), postes telegráficos, talas de junção, placas de apoio e demais componentes, foram cerca de 600 toneladas do mais puro aço inglês completamente destruídas. Não entendo, até hoje, porque não foram corretamente retirados e vendidos, em prol de nossos hospitais. Veja, nos ferros-velhos, quanto vale um kg de trilho…

Além do fato de Ferraço ter conseguido financiamento para uma obra sobre área da União (só seria repassada ao município no segundo mandato do Casteglione), através do convênio via Caixa, no valor global de R$ 1.490,488,86, sendo a contraparte do município de R$ 423.686,66, o que mais marcou foi o fato de nenhum dos vereadores ter feito qualquer comentário. Eleitos para fiscalizar o executivo e elaborar leis, sequer ousaram contestar o desejo, com muita ‘Fé e Raça’, de erradicar os trilhos e construir uma avenida para… carros.

Considero isto não um erro, mas um crime hediondo. Não tivesse mantido os trilhos, ao menos o leito deveria ter sido aproveitado para a circulação prioritária ou exclusiva de ônibus, em duas mãos, num sistema troncal, com fantásticas melhorias no transporte de passageiros entre o centro e a região do IBC/BNH/Coramara e, hoje, Morro Grande.

Em fins de 2013, 20 anos após a primeira carta aos vereadores, enviei outra, também com 20 cópias, cada uma acompanhada por três DVDs, sendo um com vídeos diversos, outro com meu documentário Retrilhando a Leopoldina e o terceiro com um vídeo que distribuí em São Vicente.

Com muito custo, consegui que um deles lesse o documento, onde discorria sobre cultura, São Vicente e mobilidade urbana, mas não passou disto. Da mesma forma que 20 anos antes, nenhum deles deu a menor importância. Perdi as 20 cópias e os 60 DVDs. Nem mesmo a tragédia de São Vicente sensibilizou nossos edis, onde, entre outras coisas, as seis famílias mais pobres, as que mais precisavam das casas não as receberam até hoje.

Infelizmente, nem a população e nem os vereadores (anteriores e atuais), estão percebendo a importância de uma Câmara independente e cumprindo seu papel constitucional. Normalmente, temos uma troca de apoio por secretarias e cargos no executivo. Estão negociando não o voto, mas nosso futuro! Numa época em que chegamos a 39 secretarias, a Casa da Memória precisou ser desocupada para abrigar duas delas, perdendo mais de 80 % de seu acervo (acompanhei tudo e, não fosse pelo Danilo Quitiba, a perda seria de 100%).

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