Um projeto pioneiro financiado pelo governo do estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), pode ajudar solucionar um dos maiores problemas do setor de rochas ornamentais, que é a destinação dos resíduos do processo de serragem e beneficiamento das pedras.
De tão inovadora, a proposta desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), que possui uma unidade em Cachoeiro de Itapemirim, venceu o Prêmio de Melhores Práticas em APL de Base Mineral 2022, uma competição nacional realizada em Terezina, Piauí.
O projeto, denominado ‘Normatização da utilização de resíduos de rochas ornamentais em artefatos de cerâmica vermelha e à base de cimento Portland’, é coordenado pela pesquisadora do Cetem, Mônica Castoldi Borlini Gadioli, juntamente com o pesquisador aposentado do órgão, Francisco Wilson Hollanda Vidal.
O projeto teve ainda a participação dos professores e colaboradores Geilma Lima Vieira, Kayrone Marvila de Almeida, Mariane Costalonga de Aguiar, Maria Angélica Kramer Sant’Ana e Carlos Maurício Fonte Vieira.
A partir dos estudos, os pesquisadores do Cetem denominaram esses resíduos finos do beneficiamento de rochas ornamentais de Fibro, e concluíram que podem ser utilizados como matéria prima na preparação de diversos produtos como telhas, tijolos maciços, blocos de vedação, lajotas e concreto.
“Nos estudos, nós substituímos uma das matérias primas naturais utilizadas na produção pelos finos do beneficiamento de rochas ornamentais, que já estão disponíveis. Nós produzimos os artefatos cerâmicos tanto em laboratório quanto nas indústrias e conseguimos produtos até melhores do que aqueles feitos da forma tradicional”, destacou Mônica.
A partir do resultado dos estudos, os pesquisadores do Cetem elaboraram duas instruções normativas para a utilização do Fibro tanto na produção de artefatos de cerâmica vermelha, quanto nos componentes à base de cimento Portland para concreto.
Além de reduzir o consumo de matérias-primas naturais, a utilização deste novo material vai dimuir a quantidade de resíduos descartadas na natureza. Outro benefício é que agrega valor a um produto que até então é indesejável, além de possibilitar a geração de novos empreendimentos e novos produtos.
As notícias mais importantes do dia direto no seu WhatsApp! 📲
ES produz 2 milhões de toneladas por ano de resíduos
Um dos maiores produtores e exportadores de rochas ornamentais do mundo, o Espírito Santo produz anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de resíduos finos, que são gerados no processo de serragem e polimento de mármore e granito.
Os resíduos são depositados em aterros particulares ou associativos. E atualmente existem apenas estudos e algumas poucas iniciativas de reutilização destes materiais, uma vez que o procedimento ainda não foi normatizado.
Nesse trabalho dos pesquisadores do Cetem, foram mapeadas as indústrias de cerâmica vermelha, concreto e empresas de rochas ornamentais para atestar a logística de proximidade entre elas e comprovar o uso do resíduo sem a necessidade de transporte para grandes distâncias.
Os testes industriais realizados mostraram que o resíduo pode ser utilizado tanto nos artefatos de cerâmica quanto de concreto. E, a partir deles, os pesquisadores elaboraram duas propostas de instruções normativas, que poderão ser seguidas pelas indústrias.