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Rumo ao Inexplicável: A lenda de Catarfilo, o judeu errante

O Judeu Errante? Imagem de Nikolai Roerich (Peregrino na Cidade Radiante, 1933)
O Judeu Errante em busca de redenção. Imagem divulgação.

Ele caminha entre nós com passos furtivos e esguios. Um homem de aparência comum e discreta, cuja presença em meio à multidão passa completamente despercebida para a maioria das pessoas. Porém o que poucos sabem que esse ser humano simplório possui mais de dois mil de idade.

Sim caro leitor e isso que você leu, esse simples homem possui dois mil anos de idade, uma testemunha viva de toda trajetória da nossa civilização até aqui. O primeiro imortal da humanidade. Conheçam Catarfilo, e essa é a sua história.

 

Catarfilo 

Ou Ahsverus e sua história começa a dois mil anos atrás, na época do Rei Herodes, o Grande, que ao tomar conhecimento, através dos três Reis Magos, sobre o nascimento de um novo rei dos judeus chamado Jesus, ordenou aos seus soldados que matassem todas as crianças de até dois anos de idade. O que resultou no maior infanticídio de todos os tempos.

O episódio é narrado na Bíblia, em Mateus capitulo 2, versículos do 16 ao 18: “Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.”

As crianças mortas, mais tarde, foram consideradas os primeiros mártires da Igreja Católica.

E foi nesse contexto que um judeu, chamado Catarfilo, sapateiro de profissão, testemunhou a terrível morte de seu filho recém nascido e consequentemente de sua esposa, nas mãos dos cruéis soldados romanos. E assim louco pela raiva de ver sua família executada, ele em busca de vingança, para aplacar sua dor, resolveu perseguir Jesus e fazê-lo pagar. Pois ele, em sua simplicidade, não entendia o motivo de tanto ódio, porem foi completamente consumido por ele.

Catarfilo, cego pela raiva e pela dor, começa a procurar por Jesus, e quando ele descobriu que o nazareno havia sido preso por Pilatos, ele subornou um dos guardas romanos e tomou o seu lugar, e começou a chicotear o rei dos reis, proferindo blasfêmias e discursos ofensivos. A cada chicotada, era uma ofensa e uma agressão física, como tapas e chutes…

Jesus, em sua santidade, cansado de ser açoitado injustamente, teria então lançado uma maldição, e tal castigo teria sido registrado no capítulo 26 do Evangelho de Mateus:

“Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino.”

O Imortal Catarfilo? Imagem divulgação

E assim por todos os insultos e agressões, Catarfilo teria sido castigado pelo Messias a  vida eterna, vagando eternamente de cidade em cidade e atravessando países a esmo em uma rota sem destino. Um verdadeiro pária, que vive sem família e sem amigos.

Catarfilo só conhecerá o abraço eterno da morte, quando o redentor voltar, e não mais como um cordeiro e sim como um Leão.

 

Outras versões

Outra versão diz que Jesus Cristo teria ficado cansado e veio ao solo, sob o peso da cruz, em frente a sapataria onde trabalhava Ahsverus, que sem nenhuma compaixão, ficou zombando daquela lastimável cena. Jesus então cheio de dor e sofrimento o amaldiçoou com a vida eterna, e que ele caminharia pelo mundo até o fim dos tempos.

E conta-se, em uma outra versão, que Jesus parou diante da sapataria e pediu uma caneca de agua para Ahsverus, e este em tom de zombaria respondeu: “Se és o Filho de Deus, faz com que jorra uma fonte de água fresca do chão”. Jesus então, por essa falta de respeito, amaldiçoou o artesão.

 

O Judeu Errante no Brasil

Existe uma lenda que esse judeu errante teria vindo ao Brasil, onde se estabeleceu em  Pernambuco, e foi durante o período do domínio holandês, e logo após teria aparecido no norte de Minas Gerais, sendo essa a  sua última aparição em terras tupiniquins, onde segundo relatos, o encontraram chorando sangue diante de uma igreja em plena sexta-feira santa.

Seja como for, o Judeu Errante foi homenageado com algumas versões literárias, entre elas: A epopeia “Ahsverus” (1833), de Edgar Quinet  e o romance inacabado “Isaac Laquedem” (1853), de Alexandre Dumas pai.

 

Para saber mais:

 

 

Marcio do Nascimento Santana, Historiador com formação em Arqueologia, Montanhista e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cachoeiro de Itapemirim

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