Silicose, doença  pulmonar incurável, pode afetar trabalhadores do setor de rochas

Silicose, doença  pulmonar incurável, pode afetar trabalhadores do setor de rochas
Anete Lacerda

Trabalhadores do setor de beneficiamento de rochas, principalmente o granito, estão expostos ao risco de contrair silicose, uma doença pulmonar crônica.

Mas outras profissões em que o trabalhador esteja exposto a cristais de sílica livre, como o jateamento de areia, escavação de poços e construção civil, também podem desenvolver a doença.

Quem esclarece é a médica  Édina Fassarela, pós-graduada em Pneumologia pela Universidade Federal Fluminense e certificada pela Air Pneumo, órgão ligado à Organização Internacional do Trabalho.

Segundo ela, a doença é progressiva e irreversível e realmente não tem cura e nem tratamento específico. “A silicose leva muitos anos para desenvolver e dar sintomas. Provoca endurecimento dos pulmões, e em fase avançada, causa “falta de ar” e incapacidade para o trabalho”, enfatiza.

Segundo a pneumologista, os cristais de sílica inalados, após depositados nos alvéolos, provocam uma reação inflamatória que evolui de forma crônica, até resultar em fibrose que dificulta o desempenho normal da função respiratória, impedindo a troca gasosa.

A pneumologista esclarece ainda que quem mora perto de locais de pedreiras e fica respirando o ar com pouco ou muito particulado da sílica, também corre o risco de contrair a doença, mesmo que nunca tenha trabalhado no setor.

“ Isso se explica porque, apesar da exposição, em nenhum momento a pessoa usa equipamento de proteção individual, como as máscaras”.

Édina diz ainda que a contaminação depende também de um fator chamado suscetibilidade individual. “Algumas pessoas são mais suscetíveis. Outras não”, esclarece.

Se a doença não tem cura nem tratamento específico, a prevenção é possível através de medidas de proteção coletiva, destaca Édina Fassarela.

“A melhor forma de prevenir a silicose, sem dúvida, é evitar a exposição à sílica livre, por exemplo, através de um sistema de ventilação, exaustão ou de umidificação dos processos produtivos”.

Outra forma, esclarece, quando a proteção coletiva não for possível, é o uso de proteção individual, a máscara de proteção respiratória. “Isso se torna obrigatório”, ressalta.

Como a silicose demora muitos anos para se desenvolver e apresentar sintomas, a médica alerta que todo trabalhador que labora em ambiente contendo poeira mineral, com ou sem sílica, deve ser submetido periodicamente a exames médicos para avaliação e monitoramento da capacidade respiratória.

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