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Sobre Homens e Montanhas: O cemitério dos Bandeirantes

MARCIO DO NASCIMENTO SANTANA. Recentemente escrevi sobre o Farol dos Bandeirantes, o Pico do Itacolomi, e sua importância para esses exploradores desbravarem os rincões mais distantes do estado de Minas Gerais. Foi graças a essa montanha que Ouro Preto, antiga cidade de Vila Rica, floresceu e sua vocação aurífera atraiu aventureiros, nobres e desbravadores de todos os cantos do Brasil.
Os bravos bandeirantes. Imagem divulgação
A montanha da Caveira com 1.432 metros. Imagem divulgação.

Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a esta Montanha: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Jesus Cristo

Prefácio

Recentemente escrevi sobre o Farol dos Bandeirantes, o Pico do Itacolomi, e sua importância para esses exploradores desbravarem os rincões mais distantes do estado de Minas Gerais. Foi graças a essa montanha que Ouro Preto, antiga cidade de Vila Rica, floresceu e sua vocação aurífera atraiu aventureiros, nobres e desbravadores de todos os cantos do Brasil. Porém, quem realmente detinha o monopólio de exploração era a Coroa Portuguesa, e em pleno século XVIII, ela  precisava de estradas para escoar toda a produção de ouro para o Rio de Janeiro e também São Paulo, e nesse contexto entra em cena novamente os destemidos  bandeirantes, que foram um dos grandes responsáveis por criar várias rotas terrestres que atendesse essa demanda.

O Desafio

Construir estradas para escoar o ouro era fundamental, mas não era uma tarefa fácil. Minas Gerais no início de sua produção era praticamente isolada do restante do Brasil e seu relevo montanhoso piorava ainda mais a situação. A grande muralha de granito da serra do Caparaó é um belo exemplo disso. Os bandeirantes e a Coroa Portuguesa se viam forçados a abrir rotas elaboradas para o trânsito de tropas militares, tropas de mulas e de grandes carroças e carruagens. E claro, existiam os perigos inerentes a esse tipo de empreitada como saqueadores, animais de peçonha, insetos transmissores de doenças, grandes trechos sem água, vegetação densa, sol intenso e a necessidade dos portugueses de sempre estarem fazendo manutenção de certos trechos que sofriam com os buracos causados pela erosão. E nesse cenário tão perigoso se destaca a assombrada Serra da Caveira.

A Serra da Caveira

Foi uma das mais inóspitas rotas de escoamento de ouro do Brasil Colônia, cuja característica consistia em uma cadeia de montanhas, cortado por uma vale, cuja vegetação era quase inexistente, com raríssimas nascentes, sem árvores de grande porte, plantas comestíveis ou qualquer tipo de caça, uma vez que a fauna também era escassa. Esse Vale lembra um sertão extremamente hostil que ao longo dos anos se transformou em um enorme cemitério de viajantes  a céu aberto, explicando a origem do seu nome. O ponto culminante dessa serra é a Montanha da Caveira com 1.432 metros de altitude. 

Serra Assombrada

Se em um primeiro momento esse caminho serviria como rota comercial, em um segundo momento se tornou uma rota clandestina de contrabando de ouro, que muita das vezes era escondido dentro de imagens de santos de madeira que eram ocas por dentro para serem preenchidas pelo vil metal e assim enganar a fiscalização portuguesa.

O santo do pau oco, preparado para contrabandear ouro. Imagem divulgação

Muitos bravos porém não sobreviviam a essa extenuante jornada, morriam de fome, doenças, sede… e seus cadáveres ficavam ao longo do caminho e ainda hoje em pleno século XXI é possível avistar ossos humanos pelo local, o que fez que essa serra ganhasse a fama de assombrada.

Ponte de uma rota alternativa. Imagem divulgação.

Atualmente

A partir do século XIX novas rotas foram sendo abertas, inclusive nas imediações dessa serra, e que contavam com pontes e uma infraestrutura melhor. E com o passar dos anos essa Serra foi sendo esquecida, e ainda hoje é considerada por muitos como sendo mal assombrada, e muitos que por lá se aventuram relatam visões de antigos espectros daqueles que outrora foram orgulhosos bandeirantes.

Para frente e para o alto

Montanha Brasil

Para saber mais:

 

Marcio do Nascimento Santana, Historiador com formação em Arqueologia, Montanhista e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cachoeiro de Itapemirim

 

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