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Alpinistas rumando para o seu destino, a Montanha dos Mortos

Sobre homens e montanhas: Passo Dyatlov, a Montanha dos Mortos

ARTIGO: Marcio do Nascimento Santana, historiador, montanhista, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cachoeiro de Itapemirim.

 

William Shakespeare:

“Existem mais mistérios, entre o céu e a terra, do que sonha sua vã filosofia”

Os montes Urais são uma cordilheira de montanhas na Rússia que definem a fronteira entre a Europa e a Ásia. Sua extensão vai das estepes cazaques, ao longo da fronteira norte do Cazaquistão, até a costa do oceano Ártico. Os Urais estão entre as cordilheiras mais antigas do mundo, tendo-se formado no final do período carbonífero. Seu ponto culminante é o monte Naroda Poznurr, com seus 1895 m de altura.

Porém, o destaque do texto será para o Monte Kholat Syakhl, na Rússia, cujo nome em mansi, dialeto da tribo local, significa “Montanha dos Mortos”.

O início

Tudo começou em fevereiro de 1959, com um grupo de nove alpinistas – sete homens e duas mulheres -, que partiu na viagem de esqui em 23 de janeiro de 1959. O itinerário de 16 dias teve como objetivo percorrer 320 quilômetros e atravessar as montanhas do norte dos Urais e escalar as montanhas Otorten e Kholat Syakhl. O plano era entrar em contato por telegrama a partir da última vila, antes da derradeira escalada, chamada Vizhay , mas isso nunca aconteceu.

Possível vitima da radiação

Em 31 de janeiro, eles chegaram na beira de um morro e prepararam-se para escalá-lo. Em um vale silvestre, eles estocaram comida e equipamento. No dia seguinte, 1º de fevereiro, os alpinistas começaram a descer o passo. Ao que parece, eles planejavam atravessar o local e acampar do outro lado durante a noite seguinte, mas devido à piora nas condições meteorológicas, com tempestades de neve e declínio de visibilidade, eles decidiram parar e montar acampamento no declive da montanha.

O Passo Dyatlov

No dia 2 de fevereiro do mesmo ano ocorreu a trágica e inexplicável morte desse grupo de alpinistas, no que ficou conhecido como Incidente do Passo Dyatlov.

As mortes ocorreram ao norte dos montes Urais, na costa leste da já exaustivamente citada montanha Kholat Syakhl. O nome Dyatlov é por conta do líder do grupo Igor Dyatlov. De acordo com investigações posteriores, todos foram vítimas de “forças desconhecidas”.

Um dos alpinistas, misteriosamente morto.

Em 20 de fevereiro, familiares dos montanhistas exigiram do governo uma operação de resgate, foram então enviadas as primeiras equipes de busca, formadas por militares, policiais e  voluntários, com direito a aviões e helicópteros para busca e salvamento.

Em 26 de fevereiro, as equipes de busca encontraram o acampamento abandonado em Kholat Syakhl. As barracas estavam arruinadas, e um conjunto de pegadas seguia até a margem de um bosque próximo, estando cobertas por neve após 500 metros.

Na beira da floresta, sob um grande e antigo pinheiro, foram encontrados os restos de uma fogueira, juntamente com os primeiros dois corpos, descalços e usando apenas roupa de baixo. Entre o pinheiro e o acampamento estavam outros três corpos, mortos em posição que sugeria que estivessem tentando voltar às barracas. Eles foram encontrados separadamente, a distâncias de 300, 480 e 630 metros do pinheiro.

O acampamento misteriosamente destruído.

A busca pelos quatro esquiadores restantes levou mais de dois meses. Eles foram finalmente encontrados em 4 de maio, debaixo de quatro metros de neve, em uma ravina embrenhada na mata próxima ao pinheiro.

Pessoas presentes no local no momento de descoberta dos corpos dizem que eles apresentavam características extremamente estranhas. Estavam com a aparência envelhecida, cabelos brancos, pele alaranjada. A análise de algumas peças de roupas indicava um leve índice de radiação. No entanto, as mortes foram declaradas como sendo por hipotermia. Um dos investigadores se recusou a assinar a declaração de óbito e foi afastado da investigação.

A investigação

Um inquérito foi aberto, um exame médico não encontrou ferimentos que pudessem ter provocado as mortes, sendo concluído que todos morreram de hipotermia. Um dos corpos apresentava uma pequena fissura no crânio, inicialmente não considerada um ferimento fatal.

O exame dos quatro corpos encontrados em maio mudou completamente o cenário. Três deles apresentavam ferimentos fatais, sendo dois com fraturas cranianas e dois com extensas fraturas torácicas. A força necessária para provocar tais ferimentos teria de ser extremamente alta, com um dos especialistas comparando-a à força de uma colisão automobilística.

O mais notável, caro leitor, é que os corpos não traziam feridas externas, como se tivessem sido esmagados por um alto nível de pressão. Apenas um dos mortos tinha um ferimento externo considerável: estava sem a língua. A análise das roupas identificou que elas continham um elevado nível de radiação.

Outro corpo encontrado pelo grupo de resgate

Evidências sugerem que o grupo foi obrigado a deixar o acampamento durante a noite, quando já dormindo teria sido atacado por alguma coisa ou alguém. A temperatura extremamente baixa (por volta de -25° a -30°C), com tempestade e fortes rajadas de vento, os montanhistas ao tentarem fugir estavam apenas parcialmente vestidos.

Alguns deles tinham apenas um sapato, enquanto outros usavam somente meias. Outros foram encontrados enrolados em pedaços de roupas rasgadas, aparentemente arrancadas daqueles que já haviam morrido. A conclusão diante tamanha atrocidade e que foi que todos os integrantes do grupo morreram devido a uma “força desconhecida”. 

As teorias

Foram consideradas pelas autoridades soviéticas, ataques de Pé Grande (Yeti), uma avalanche, experiências militares confidenciais com radiação e até mesmo cogitaram a existência de ovnis.

Nosso assassino seria o Pé Grande???

O inquérito foi oficialmente encerrado em maio de 1959 devido à “ausência de parte culposa”. Os documentos relativos ao caso foram então arquivados, sendo divulgados ao público somente na década de 1990, ainda assim em fotocópias com diversas partes ausentes.

No final, todos os corpos foram encontrados e eles puderam ter um enterro decente. E ganharam um memorial no cemitério.

Memorial do Passo Dyatlov

Conclusão

O incidente do Passo Dyatlov ficou conhecido como um dos maiores mistérios do século XX até hoje sem resposta e muitas especulações. Porém, em pleno seculo XXI, a Rússia, antiga URSS, reabriu o caso e resolveu investigar melhor todas as evidências, com os olhos apurados da ciência moderna, com exames de DNA, estudos de satélites, simulações em computadores…

Mas eu, como montanhista e pesquisador (me atrevo, caro leitor, a deixar a minha opinião pessoal), acredito que esse mistério está muito longe de ser resolvido.

Para frente e para o alto

Montanha Brasil.

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