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Foto: Betto Barbosa

Armazém do Chiquito, uma viagem gostosa no tempo

Lilia-barros-05-09-2023
Lilia Barros

O baleiro girava com dezenas de doces que faziam a molecada sonhar de olhos abertos. Na balança eram pesadas as mercadorias a granel retiradas de sacos de estopa com uma concha. E na caderneta de anotações estavam os nomes dos fregueses que levavam mantimentos para pagarem no final do mês.

Era assim há 50 anos, uma época em que não havia tanta tecnologia e nas esquinas estavam os  armazéns ou “vendas”. Esses pequenos mercados eram a maior ou única fonte de mantimentos para a população de bairro. Lá, se comprava de tudo: arroz, feijão, biscoito e todo tipo de gulsoeima, bem doce, bem açucarada ou melada de colar a boca.

Tempo bom que não volta mais!? Para quem pensa que esse tipo de estabelecimento comercial não existe mais, prepare-se para uma rápida e gostosa viagem no tempo. A nave espacial que conduzirá os tripulantes, amantes de coisas atuais à moda antiga, é o armazém do Chiquito, o comerciante mais antigo de Mimoso do Sul.

Todo mundo o conhece como Chiquito, 87 anos, mas na certidão de nascimento é Francisco Trugilho, casado há 63 anos, cinco filhos. Ele é do tempo em que os fazendeiros pediam para vender para as pessoas que trabalhavam para eles o ano todo e pagavam na época da colheita do café.

Foi dono de um grande açougue e buscava porco na Bahia para abastecer o mercado com sua saborosa carne. Fazia linguiça, torresmo e vendia banha, numa época em que não tinha nada embalado em sacolas.

Os filhos ajudavam a enrolar os mantimentos em papel como conta o filho mais velho de Chiquito, Francisco Carlos Piteres Trugilho.

“A gente ajudava o pai a embalar arroz, feijão, fubá, farinha, milho e até trigo, que era o mais difícil para colar as sacolas. O açúcar ficava num caixote e as abelhas vinham e picar a gente na hora de mexer na mercadoria.

Para ele não mudou muita coisa não. Hoje em dia, acorda às 4h30 e trabalha o dia todo, até às 17h. Produtos como arroz, feijão e milho de pipoca ainda são vendidos a granel, e ficam acondicionados em enormes sacos de estopa de até 60 kg. O freguês pede por peso e Chiquito com a ajuda de uma concha vai medindo o que vender.

O “cartão de crédito” de antigamente era a caderneta de anotações. Para Chiquito ainda é. Tem também um fichário feito com papel de embrulho. O estilo pegue hoje e só pague no final no mês ainda está valendo.

De forma impressionante ele ainda faz todas as somas de contas na caneta e na frente do freguês para não deixar dúvidas. Usa a balança para pesar alguns produtos, sim, aqueles que ele ainda encontra em sacos hoje em dia.

O baleiro não é um objeto de decoração na venda de Chiquito. As opções de balas continuam lá. As cachaças que eram vendidas em dose não tem vez no armazém dele, ele até colocou um cartaz para deixar bem claro que ali não entra bebida alcóolica.

Com o tempo tudo muda (ou quase tudo), mas será que Chiquito quer modernizar seu armazém? O filho garante que não. “Ele é muito teimoso quanto a mudanças, parece que parou no tempo. Não gosta nem que mudem as mercadorias de lugar.”

Ao que tudo indica, esse ofício vai continuar. O filho mais velho, chamado de Chiquitinho, seguiu o ramo do comércio do pai e seu irmão é um dos sócios.  “Tenho uma lanchonete, a “Chiquitinhos Lanches” cujo nome é uma homenagem ao meu pai Chiquito como é muuuuito conhecido”, ele diz.

Seu Chiquito conta que trabalhava na roça e começou como ajudante em uma venda que ficava à beira da rodovia que liga Mimoso do Sul a BR-101. Depois ficou sócio dessa venda por um período até vir para Mimoso estabelecer o armazém.

Ele gosta de lembrar que já foi a Cachoeiro de Itapemirim de bicicleta fazer compras quando a BR-101 ainda não era asfaltada. Pois é, agora está tudo asfaltado, o comércio avançou, os produtos já chegam em sacolas, mas Chiquito avisa: “Vou continuar com meu armazém!”

Serviço:

Armazém Trugilho ou Armazém do Chiquito – Rua Alto São Sebastião n° 350, Mimoso do Sul.
Chiquitinhos Lanches – Rua deputado Evaldo Ribeiro de Castro n°79, ao lado do comércio do Chiquito.

Lanchonete do filho mais velho de Chiquito

 

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