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Carolinar

escritoras-cachoeirenses2-07-01-23
Escritoras Cachoeirenses

É nítido que muitos preferem exaltar culturas estrangeiras inferiorizando a cultura popular brasileira. Desde sua construção, o samba vivenciou sua marginalização, algo que hoje presenciamos acontecer com o funk. Deixando claro que o preconceito está destinado ao que o negro produz.

O carnaval vai além de uma profanação na percepção religiosa. Ele é essência, é um festejo que exalta a cultura popular brasileira. Cultura essa produzida pelo morro.

O morro produziu o samba. Nele encontramos os traços do povo mais sofredor de nosso país. O samba relata a história do humilde, do trabalhador, do mal visto, do periférico, do negro. Mas, como nem sempre o negro tem lugar garantido, o samba precisou ganhar espaço.

O baile funk, por sua vez, exprime atualmente o que o morro grita. Sua ostentação está se igualando ao que o futebol representou por um tempo, uma esperança ilusória que não é para todos, entretanto, ele também exprime o que produz o morro.

E essa é a voz que ressoa pelo morro…

“13 de maio de 1888, Lei Áurea, partir desta data é abolida a escravidão no Brasil.

Enfim ganhamos a tão sonhada liberdade, nossos sorrisos, que apesar de todo sofrimento nunca saíram de nossas faces, hoje exala o que estamos sentido, a alegria de ser enfim… livres!” Mas e o 14 de maio de 1888? Dia que ninguém se recorda, mas que vivenciamos todos os dias.

Carolina era uma moça sonhadora. Apesar de sua vida sofrida, seus sonhos nunca foram eliminados de sua mente. Por necessidade, Carolina se viu obrigada a residir em um bairro periférico de São Paulo, mas nunca deixou de sonhar com sua bela mansão, onde poderia oferecer o melhor conforto possível para sua família.

Pela janela de sua humilde residência, lugar que outros avistavam uma rua suja e respiravam um ar poluído, Carolina via através de seu olhar inocente e esperançoso, um lugar de possível beleza e riqueza.

Por necessidade, Carolina trabalhava como catadora de papelão, serviço mal visto por muitos, que sequer enxergam a dignidade de realizá-lo. Mas, como que agindo com superioridade em sua humildade, aproveitou esse serviço para ler o máximo possível e escrever o que vivia em seu dia a dia.

Através de sua escrita, de maneira aleatória, mas para quem acredita, estava em seu destino, Carolina teve seus registros publicados e suas falas foram ouvidas e isso lhe tirou naquele lugar. Mas nunca aquele lugar saiu de seu coração.

Por necessidade, sempre por necessidade, Carolina nunca deixou de falar sobre o que vivera e a realidade que conhecia. Ela sempre fora vista como estranha entre os seus. No olhar de seus vizinhos da favela, ela era diferente por ler muito e escrever também. Para outros escritores ela não era como eles, por não ter a mesma formação ou bagagem que eles.

Mas na verdade, hoje sabemos que seu papel era, e ainda é, dar voz ao povo oprimido, pois através de suas falas e escritas, ela falava sobre e pelo povo. Carolina vivenciou o 14 de maio que todos conhecem mas ninguém fala e que nós vivemos até o momento.

O 14 de maio é o dia em que os negros escravisados se questionaram se realmente foram libertos, pois essa liberdade veio sem educação, sem comida, sem abrigo, sem direitos iguais. Fomos deixados nas favelas com a promessa de um dia ganharmos dignidade. Somos diferentes, mas queremos direitos iguais, queremos

equidade, queremos “Carolinar”, dar voz ao povo oprimido e fazer com que sejam ouvidos e atendidos.

 

Dandara Dias de Oliveira. Mulher, negra, da roça, filha de lavradores, antirracista, professora, produtora cultural e escritora. Defenderei eternamente a causa daqueles que mais precisam
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