seg 8/agosto/2022 04:23
Imagem ilustrativa

Espírito Santo e seus mistérios: a Ilha do Diabo

Espírito Santo e seus mistérios: a Ilha do Diabo
Marcio do Nascimento Santana

ARTIGO: Marcio do Nascimento Santana, historiador, montanhista, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Cachoeiro de Itapemirim e vice-presidente do CE Itabira.

 

Quando pequenos, sempre sonhamos brincar de piratas e encontrar tesouros escondidos em ilhas desertas. Mas esses lugares escondidos e pouco explorados costumam esconder mistérios que podem transformar qualquer sonho em um autêntico pesadelo.

Você deve conhecer muitos lugares com histórias assustadoras que seus amigos contavam para lhe deixar com medo quando era criança ou até mesmo que os próprios locais dizem para atrair turistas.

Aqui no Espírito santo não poderia ser diferente, e encontramos uma ilha assim, tida por muitos como uma ilha mal-assombrada,

Ilha da Pólvora

Ilha da Pólvora, também conhecida pelos conterrâneos ao longo das décadas como Ilha dos LeprososIlha do Medo ou Ilha do Diabo, é uma das ilhas que compõem o arquipélago de nossa capital Vitória, Espírito Santo.

Ilha da Pólvora

A Ilha da Pólvora foi marcada por tantas mortes e fatos inexplicáveis que é considerada hoje um dos locais mais mal-assombrado do Brasil. Mais de 100 pessoas morreram lá, e muitas foram dizimadas pela tuberculose, já que a ilha foi utilizada como hospital e também para servir de quarentena para pessoas com doenças infecciosas.

A história

A ilha produzia pólvora na época até abrigar em 1925 o Hospital de Isolamento da Ilha da Pólvora, fundado no governo de Florentino Avidos e, anos mais tarde, renomeado como Hospital Osvaldo Monteiro, em homenagem a seu primeiro administrador. O hospital funcionou até a década de 1990, quando foi desativado pelo governador Albuíno Cunha de Azeredo. Construído para tratar hanseníase e tuberculose, mortais na época, teve diversos óbitos no local.

Ruinas na Ilha do Diabo

A tuberculose e outras doenças infecciosas foram um grande problema no Brasil, especialmente em grandes centros comerciais como era Vitória. Assim, a cidade contava com leis bastante restritas de saneamento e, embora na época as pessoas ainda não entendessem como as doenças eram transmitidas, elas tinham noção de que era necessário isolar os doentes para evitar epidemias.

Apesar da incrível má fama, a verdade é que nem sempre a estadia na Ilha da Pólvora foi tão horripilante assim. Segundo os registros históricos, a maioria dos internos contava com seus próprios quartos e eram bem alimentados, e dizem que a ilha serviu de lar para muitos doentes que eram deixados ali para passar seus últimos momentos de vida, enquanto, diz a lenda, eram assombrados pelos fantasmas dos que haviam perecido anteriormente.

Relatos de ouvir barulhos estranhos e vozes são comuns até hoje. Existem relatos de fantasmas serem avistados pelos poucos curiosos que visitam o local, ou por algum pescador que passa próximo a essa Ilha, e ainda e possível encontrar pinturas e desenhos estranhos nas paredes das ruínas.

Localização

A ilha está localizada na cidade de Vitória, Espírito Santo. Fica a 98 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim. A partida de barco até a ilha e também para o manguezal é do Cais das Barcas. O trajeto até a ilha dura menos de 10 minutos.

Um vídeo sobre a Ilha da Pólvora e sua história assombrada

Conclusão

Com um histórico como esse, não é de se estranhar que a Ilha do Diabo tenha ganhado fama de ser assombrada, e já atraiu inclusive a atenção de investigadores paranormais e caçadores de fantasmas. Entretanto, ela permanece abandonada e aberta ao público para exploração e para jogos de paint ball.

Logo, meu caro leitor, fica o convite à aventura e à exploração dessa ilha, que hoje abriga ruínas arqueológicas de tempos difíceis, marcados por lutas, doenças, devoção e heroísmo.

Ilha da Pólvora, um patrimônio capixaba.

Ultimas Notícias