Maior especialista da biodiversidade da Serra das Torres lamenta incêndio

Maior especialista da biodiversidade da Serra das Torres lamenta incêndio

O Monumento Natural da Serra das Torres (Monast), que ocupa 10.458,90 hectares de Mata Atlântica  e foi tombado há mais de dez anos como Unidade de Conservação, está ameaçado pelo fogo que atinge a área de amortecimento no entorno da área, em Atílio Vivácqua.

O incêndio começou na noite de quarta-feira (25), numa propriedade na comunidade do Amapá, e até início da noite desta quinta-feira (26), ainda não tinha sido totalmente controlado.

Homens do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil de Atílio Vivácqua e outros servidores da Prefeitura trabalharam na contenção das chamas, que queimou o equivalente a 168 campos de futebol, segundo informações do coordenador da Defesa Civil Fernando Arruda Bonfim.

A pesquisadora Jane Oliveira, bióloga PHD com dois pós-doutorados, herpetóloga, ecóloga e especialista em anfíbios e répteis, que fez da Serra das Torres o seu campo de pesquisa quando a biodiversidade do local ainda não era conhecida, fala da sua preocupação com a ameaça que o fogo representa para a biodiversidade da região.

“ O Monumento Natural da Serra das Torres é uma região considerada de beleza cênica e elevada biodiversidade, além de ser uma região rara, formada por com muitos mirantes e paisagens deslumbrantes”.

Segundo ela, a principal característica da Serra das Torres é a existência de montanhas muito elevadas, pedras que os pesquisadores chamam de inselbergs, ou pães de açúcar, que são  cobertas com grande quantidade de vegetações características da Mata Atlântica, que é o caso da Pedra das Caveiras, um dos principais atrativos turísticos de Atílio Vivácqua.

“Elas passam de 1200 metros de altitude, e entre as montanhas que ficam próximas, nascem centenas de riachos no alto das pedras, fonte de água pura e cristalina que abastece toda a região dos três municípios que fazem parte do Monast: Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul”.

Jane Oliveira diz que a Serra das Torres abriga mais de 85 espécies só da herpetofauna, entre anfíbios e répteis. “É uma das maiores biodiversidades do Espírito Santo”, assegura.

Além de anfíbios e répteis, a pesquisadora diz que já existem outros pesquisadores começando o inventário dos pássaros, e que o local abriga espécies ameaçadas, endêmicas e espécies raras.

“ Isso é de uma preciosidade incomparável. A Serra das Torres é um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica e o que está sendo queimado é o que chamamos de área de amortecimento, que serve exatamente para manter a floresta preservada”, lamenta.

Segundo Jane Oliveira, os impactos provocados pelos incêndios são longamente conhecidos e que é extremamente preocupante que isso ainda aconteça em áreas protegidas, onde de fato deveria haver proteção da biodiversidade.

“ É muito triste saber que não posso fazer nada por uma lugar que trabalhei a minha vida toda, em que tentei contribuir e proteger”.

A pesquisadora relata que desde o primeiro momento que pisou lá trabalha para a preservação do local. Conta que trabalhou inclusive na elaboração do projeto que transformou a Serra das Torres numa Unidade de Conversação.

“Conheço cada canto, subi aos cantos mais altos, conheço cada região, já publiquei artigos científicos com as descobertas feitas lá e ver esse fato e a possibilidade da devastação provocada por um incêndio me angustia. É de fato lamentável. Espero que haja rigorosa investigação sobre isso”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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