Minha mãe é uma peça 3 – entre risos e atos de resistência

Minha mãe é uma peça 3 – entre risos e atos de resistência
Minha mãe é uma peça 3 – entre risos e atos de resistência
Olivia Batista de Avelar

No próximo dia quatro de outubro, serão cinco meses sem Paulo Gustavo. O ator e humorista, que faleceu devido à complicações de COVID 19 em quatro de maio desse ano, completaria 43 anos de idade ao final desse mês, dia 30 de outubro. Decidi escrever sobre esse filme, pois acredito que esse seja um bom final de semana para assisti-lo novamente. Digo novamente porque, com certeza, ele já foi assistido. Foram 11,5 milhões de espectadores só no cinema – o que fez esse longa metragem, lançado em 2019, alcançar a marca de terceiro maior público da história do cinema nacional. Mesmo que você não assista ao filme novamente, nesse ou no próximo fim de semana, a sugestão se mantém. Sempre é um bom dia e um momento propício para assistir aos filmes de Paulo Gustavo – mesmo que, depois de seu falecimento, todas as nossas risadas venham embargadas de um pouco de choro, muita saudade, justa indignação e incredulidade e bastante tristeza.

É muito provável que seja sempre assim, de agora em diante – porque, em um piscar de olhos, perdemos algo muitíssimo valioso que nem nos dávamos conta do quanto era relevante e do quanto era, ao mesmo tempo, frágil.

Perdemos a dádiva de rir sem nenhuma ponta de dor. Perdemos a unanimidade nacional, chamada Dona Hermínia. Perdemos – para uma doença cuja vacina já estava sendo vendida desde meados do ano passado e que, se não fosse o descaso do governo federal, toda população poderia ter começado a receber desde dezembro de 2020 – um homem talentoso, um ser humano íntegro e admirável, um pai de família, um filho exemplar, um marido amoroso para seu esposo e um exemplo, uma luz e uma inspiração para milhares de famílias e de fãs, no Brasil.

Paulo Gustavo levou para o teatro, para a televisão e para o cinema sua presença e sua representatividade. Após seu falecimento, e mesmo antes, muitos foram os relatos e depoimentos que contavam sobre quanto seu trabalho, seus personagens e seu posicionamento sócio-político ajudaram e influenciaram na melhoria de vida, na aceitação de familiares e amigos e na própria auto-estima de pessoas LGBTQIA+. Apesar de tudo que aconteceu – de sua partida precoce em um momento tão doloroso para todos – é maravilhoso termos, enquanto país e sociedade, a obra de Paulo Gustavo presente como uma parte importantíssima de nosso patrimônio cultural e como lembrete de que é esse o país que precisamos lutar para que o Brasil se torne: um país cuja população LGBTQIA+ não esteja entre as que mais são vítimas – muitas vezes fatais – do crime de homofobia.

Escolhi falar do filme maravilhoso de Paulo Gustavo e também da pessoa admirável que ele foi por um motivo bastante relevante: na última quinta feira, durante a abertura da comissão parlamentar de inquérito que investiga as omissões e a corrupção durante o enfrentamento da pandemia de COVID 19, o senador pelo nosso estado, Fabiano Contarato, protagonizou um momento histórico: tendo sido ele mesmo vítima de ataque homofóbico, através de um twit publicado por Otávio Fakhoury – empresário que estava presente para ser interrogado pelos senadores – Contarato fez uma fala potente, urgente e emocionada.

Ele confrontou o ataque homofóbico de um homem, mas suas palavras foram a voz de toda uma parcela da população que sofre em todo o mundo, mas que é especialmente humilhada e massacrada em nosso país.

Não pretendo aqui reportar ou repetir o que foi dito pelo senador – é possível encontrar o vídeo na íntegra na internet e em quase todos os veículos de comunicação do nosso país. O que pretendo dizer é: precisamos construir um senado federal, uma câmara dos deputados, assembléias legislativas, câmaras municipais, poder judiciário, grupos culturais de cinema, teatro e televisão, conselhos federais de medicina, ordem dos advogados do Brasil, enfim, todo e qualquer órgão ou grupo que tenha e que exerça poder representativo para a sociedade, que verdadeiramente represente essa sociedade. Somos um povo plural que precisa urgentemente que esse próprio povo internalize a relevância de termos, em todas essas áreas: mulheres, homens e mulheres pretos, PCDs (pessoas que possuem limitações permanentes), pessoas LGBTQIA+, idosos, indígenas, representantes de movimentos sem terra e de trabalhadores sem teto. É inadmissível vivermos em uma sociedade tão diversa e sermos historicamente representados somente por homens, brancos, cisgênero e heterossexuais. Um grupo – o mesmo grupo de sempre – para legislar, para executar as leis e para julgar e punir os infratores. Um grupo que produz aquilo que será chamado de cultura. Um grupo – somente. E todas as outras identidades permanecendo anônimas, sem voz e sem seus legítimos representantes e defensores.

O cinema de Paulo Gustavo é uma inspiração que precisa ser multiplicada – milhares de vezes. A presença e a voz de Fabiano Contarato é uma potência que precisa repercutir na sociedade e incentivar mais candidatos LGBTQIA+ e mais apoio popular a eles, através do voto. Assistir Paulo Gustavo e apoiar o mandato de Fabiano Contarato – significa muito. Representa muito. Mostra e comprova toda a força de que a pluralidade é feita e de que ela é capaz.

 

Olivia Batista de Avelar. Professora de inglês, pós graduada em filosofia, apaixonada por cinema e escritora
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