dom 3/julho/2022 12:23
Mel tem dois anos e oito meses e é o xodó de sua família. Foto: Instagram Mel.shihtzu.vv

Mundo Pet: Famílias no ES têm mais cachorros do que crianças em casa

Erika Santos

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 apontam que no Espírito Santo existem 862.876 cães, número maior que o de crianças e adolescentes de até 14 anos, que somam 825 mil. Segundo o instituto, a cada 10 residências no Estado, sete possuem bichos de estimação.

Os cães lideram a lista no Estado, seguidos pelos pássaros, com 469.759. Os gatos estão em terceiro lugar, com 249.384; e os peixes em quarto, com 68.251.

No Brasil, o número de pets é estimado em 139,3 milhões. Pelos números detalhados pelo IBGE e atualizados pela inteligência comercial do Instituto Pet Brasil (IPB), em 2018 foram contabilizados no país 54,2 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos.

A personal organizer Cleide Monteiro, 48 anos, é apaixonada por sua mascote Mel, uma cadela shih-tzu de dois anos e oito meses de idade.

“A Mel é como um bálsamo. Sou casada há 30 anos e eu e meu marido Claudio não tivemos filhos por conta de alguns problemas de saúde que tive. Mas sempre gostamos de cães. Há três anos essa ideia de ter um cachorro amadureceu e escolhemos uma fêmea. Não poderia ter encontrado criatura mais doce, mais dengosa”, afirma Cleide, que conta em depoimento ao portal Dia a Dia ES que a família sobreviveu a um acidente na Praia do Canto, Vitória, em 2017, quando Mel era filhote e estava no banco de trás do carro.

“Mel é o chicletinho da minha vida”

Depoimento de Cleide Monteiro, 48 anos, personal organizer

Sou muito grata a Deus por ter colocado em minha vida esse anjinho de quatro patas na minha vida. Mel é muito carinhosa, amorosa, extremamente doce, doce mesmo, muito afetuosa, dengosa, carinhosa, grudinho, é o chicletinho da minha vida. A fofinha mais linda que Deus me deu.

Tenho 48 anos de idade, meu esposo Claudio também, temos 30 anos de casamento e não temos filhos. Eu não posso ter filhos por uma questão de saúde, problemas que tive há alguns anos. Sempre vivemos os dois juntos, graças a Deus.

Há pouco mais de três anos, nós conversamos bastante e decidimos que deveríamos ter mais descontração na nossa vida, mais alegria. Somos apaixonados por cachorro.

A gente mora em apartamento, em Vila Velha, mas mesmo assim sempre quisemos ter um cachorro. Sou apaixonada pela raça shih-tzu, eu gosto da personalidade deles. Além de serem lindos, terem esse pelo gostoso, essa carinha dengosa e arteira, gosto mesmo da personalidade deles. São muito carinhosos, doces, dengosos.

Então comecei a dar uma olhada com mais carinho, pesquisar, me informar sobre a raça. O shih-tzu é uma raça delicada, que necessita de muitos cuidados.

A gente optou por uma fêmea e chegamos na Mel. Ela foi pra minha casa com dois meses, no finalzinho das vacinas iniciais. E a Mel trouxe muita alegria para a minha vida. Pena que cresce tão depressa.

Mel é como um bálsamo de alegria. Muitos cuidados, muita responsabilidade, porque ter um animal é um ato responsável, não é fácil, não é um brinquedo, não é uma pelúcia. Requer muita atenção, mas acima de tudo muito amor, muito carinho.

Cleide, Claudio e a cadelinha Mel, da raça shih-tzu. Foto: Acervo pessoal

A gente recebe muito deles. Como o olhar deles pra gente é cheio de ternura. Fui muito impactada pela chegada da Mel na minha vida. Ela mudou minha vida toda.

Além das coisas práticas, como comprar itens básicos como comedouro, bebedouro, a gente investe em ração super prêmio. Ela não é chegada em petiscos, mas adora frutas, principalmente banana e pera. Ela dá saltos de alegria quando vê uma bananinha na minha mão.

Mel é um anjo que Deus colocou na minha vida. Deus coloca eles (cães) na nossa vida em forma de anjos pra nos ensinar a forma certa de amar. A gente aprende todo dia com eles essa forma de amor sem querer nada em troca. Eles só querem um gesto de carinho, um afago da barriga, um cafunezinho.

Há cerca de um ano e meio fiz um plano de saúde pra Mel, ela já é castrada, e faço os cuidados de sempre, como vacinas, remédios, vermífugo, essas coisas. Levo no veterinário para consulta de rotina.

A felicidade que ela trouxe na vida da gente trouxe também uma mudança na nossa rotina. Somos um casal muito caseiro, que gosta muito de amigos. Agora, quando vamos sair, a gente sempre pensa na Mel, se ela vai com a gente ou se temos que deixar ela com uma amiga que a considero madrinha dela.

A Mel é muito assustada com barulho. Nós passamos com ela uma experiência muito ruim. Sofremos um acidente de carro em novembro de 2017, quando a Mel era filhote. Ela estava no banco de trás do carro, presa com o cinto de segurança, e na frente estávamos meu marido e eu.

A gente estava indo para o Vet Medical Center na Praia do Canto, em Vitória, num sábado à tarde, para uma consulta de avaliação para a Mel poder ser castrada. Um motorista de caminhão caçamba infartou na altura da Praça dos Namorados, invadiu a contramão e bateu no nosso carro. Teve um engavetamento envolvendo oito veículos, pegou até o ponto de ônibus. Nosso carro foi o primeiro a ser impactado e a Mel, filhote, estava no banco de trás.

Todo aquele barulho e os estilhaços de vidro deixaram ela muito assustada. Eu fiquei com dor de cabeça por uma semana e o corpo dolorido. Depois desse acidente, a Mel ficou muito assustada e é assim até hoje.

Graças a Deus, a gente não sofreu nada, nenhum arranhão. Não quebramos nenhuma unha. Mas o carro teve perda total. Todos os vidros traseiros estouraram em cima da Mel. Graças a Deus ela tava com o cinto, senão ela teria sido lançada longe.

Nossos amigos foram nos ajudar e enquanto meu marido ficou no local resolvendo as questões práticas do carro, corri com minha amiga para o hospital veterinário.

Quando a gente chegou no Vet Medical Center, eu estava desesperada, com o corpo muito dolorido, parecia que eu tinha tomado uma surra. Quando a gente chegou e falamos o que tinha acontecido, as meninas da recepção falaram que tinham ouvido falar do acidente. Rapidinho eles pegaram a Mel, levaram para o consultório, examinaram ela todinha. Ela estava cheia de caquinhos de vidro no pelo.

Naquele dia, o veterinário falou que ela teve muita sorte porque ela poderia ter estourado o tímpano. O barulho foi tão ensurdecedor. Se pra gente foi, imagina pra ela, que tem uma audição mais apurada. Mas Graças a Deus ela fez exame no ouvido e não teve nenhuma lesão.

Desde então, ela não é chegada a barulho. Dia que tem jogo de futebol, eu nem saio de casa porque sei que ela fica assustada com os fogos.

Mel supera o medo de barulho e desfila em evento pet em Vila Velha vestida de Chiquinha. Foto: Reprodução de vídeo

Nesse último Outubro Pet Rosa, no Boulevard Shopping Vila Velha, eu sabia que ia ter muito barulho. Fiquei muito preocupada porque depois do acidente ela não tinha estado num ambiente com tanto barulho e principalmente para desfilar. Mas resolvi arriscar para ver como ela se comportava. Ela nunca tinha desfilado e levei ela vestida de Chiquinha, do seriado “Chaves”.

Fiquei com o coração apertado, porque não queria que ela passasse por algum tipo de estresse. Mas a Mel tem um outro lado: ela é assustada com barulho e meio retraída com cachorros, mas é apaixonada por humanos, crianças e adultos. Ela se joga no colo das pessoas.

Quando botei ela na passarela, foi engraçado. Eu estava tensa e ela não, tava balançando o rabinho, toda feliz e muito fofinha de Chiquinha. Fiquei apaixonada. Ela foi naquela passarela como se estivesse flutuando, tranquila, na dela. Ela queria ir nas pessoas, abanava o rabinho, toda feliz. Ela desfilou tranquilamente e eu fiquei tão orgulhosa!

E mais uma vez ela me ensinou a não desistir e que no final tudo ia dar certo. Ela é fantástica, um docinho que mudou nossas vidas.

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