Operação Teste Falso. Clínicas cobravam até R$ 1 mil para fraudar exames

Operação Teste Falso. Clínicas cobravam até R$ 1 mil para fraudar exames
Redação Dia a Dia

Clínicas e laboratórios particulares estariam cobrando entre R$ 600 a R$ 1 mil para fraudar exames toxicológicos e permitir que motoristas usuários de drogas ilícitas pudessem renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou mudar de categoria sem que a substância fosse detectada no teste.

Levantamento feito pelo Dia a Dia aponta que o exame toxicológico custa em média entre R$ 130 e R$ 140,00.

O Ministério Público não divulgou os nomes dos alvos. Justificou que, por enquanto, o processo segue sob sigilo.

Na operação Teste Falso, deflagrada na manhã desta sexta-feira (16) em Cachoeiro de Itapemirim, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Sul), órgão ligado ao Ministério Público, desarticularam uma suposta quadrilha envolvida nas fraudes.

De acordo com o coordenador do Gaeco-Sul, promotor Luiz Agostinho Abreu da Fonseca, o grupo também estaria ligado à falsificação de outros testes clínicos, médicos e psicológicos, em cursos obrigatórios e de especialização para renovação e primeira habilitação.

Também há suspeita de fraudes em processos de transferência de veículos.

A ação teve apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do Ministério Público e de policiais militares do 9º Batalhão da PM de Cachoeiro.

No total, três pessoas foram presas por meio de mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Uma destas prisões foi convertida para domiciliar pois o suspeito estaria com Covid-19. O quarto alvo não foi localizado.

Além disso, mais duas pessoas foram detidas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Também foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em Cachoeiro, Mimoso do Sul e Vargem Alta.

Agostinho ressaltou que a investigação teve início em 2018, após o Ministério Público receber uma denúncia formal de que estaria ocorrendo fraude na coleta de material biológico para exame toxicológico.

“Com o desenrolar das investigações chegamos à conclusão de que existiam inúmeras outras fraudes, além destas. Concluímos que boa parte destas fraudes havia a participação de todos os envolvidos na operação de hoje”, disse o promotor.