Anderson Freire: na caminhada para o sucesso havia uma professora

Anderson Freire: na caminhada para o sucesso havia uma professora
Anete Lacerda

Fazer diferença na vida das pessoas deveria ser um compromisso de todo ser humano, independente da profissão, condição social ou credo religioso.

Isto porque quando um cidadão se importa com o outro pode mudar o mundo, e também o futuro, de pessoas que muitas vezes se sentem excluídas e indignas de ocuparem um espaço na sociedade.

No período das festas de fim de ano, quando a sensibilidade está à flor da pele e as promessas de ser uma pessoa melhor se repetem, seria importante questionar se a nossa presença melhora ou piora a vida em sociedade.

A nossa matéria aborda exatamente a história de pessoas que fazem a diferença. Vamos falar especialmente de uma professora que ajudou a mudar a vida de um aluno com dificuldade de aprendizagem a partir de um olhar sensível.

Ele estudava na Escola Lions do BNH de Cima, em Cachoeiro, e não foi desvalorizado, humilhado, chamado de burro ou difícil e nem ouviu palavras que o fizessem desistir de seguir em frente. “Ela sempre falava que me ajudou a virar uma chave, não mudou a minha vida, como eu sempre dizia para ela”, destaca o ex-aluno.

O menino que se sentia deslocado em meio a colegas de classe muito menores que ele, e que quase não aprendia, ouviu de uma professora chamada Regina Peccini a pergunta sobre o que ele gostava de fazer.

Ele não teve dúvidas na resposta: tocar violão. Na época, com cerca de 12 anos, ele já compunha suas primeiras músicas, e foi autorizado a levar o instrumento para a escola.

Ao tocar e ver amigos e professores apreciarem o seu dom, além do olhar de admiração e respeito, talvez pela primeira vez na vida,  sua história começou a mudar.

“Para uma criança que se sentia muito desprezada, e que não se aceitava, foi importante demais. Foi uma grande motivação e mudou tudo”, relata o menino que hoje se tornou cantor gospel, se casou e tem um filho.

“Levar o violão para a escola foi um instrumento contra a minha insegurança e um grande aliado para vencer os meus medos e os meus complexos”, enfatiza.

Ele conta que quando cantava com os irmãos (que posteriormente lançaram um CD através do Vocal Asafe) em casa se sentia em paz, e que levar a sua arte para o lugar da dificuldade fez com que se superasse.

Segundo o cantor, superar as perdas é uma grande conquista. “Eu me superei e consegui ter paz. Eu me senti valorizado tocando e todo mundo em volta de mim falando da minha importância. Eu acreditei”, ressalta.

O menino que teve a vida mudada pela sensibilidade de uma professora diz que às vezes chegamos ao fim do ano focados em todas as batalhas que perdemos.

“É sempre bom lembrar que perder a batalha não significa perder a guerra, mas um preparo que nos torna mais fortes para vencer”, acredita.

Quem é o menino que enfrentou muitas dificuldades na infância e teve a vida mudada pela arte e pela fé? Anderson Freire, 41 anos, cantor e compositor cachoeirense, que conquistou o Grammy Latino 2021, na categoria “Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa”, com o EP “Seguir Teu Coração.

Que neste e em todos os outros natais possamos ser gotas de esperança e renovação na vida de pessoas que precisam apenas de um olhar generoso e palavras de incentivo para seguir em frente.

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