Documentário mostra a força e as dores de mulheres trans

Documentário mostra a força e as dores de mulheres trans
Redação Dia a Dia

O Coletivo Fortalecimento e Empoderamento da Populaçao Negra do Sul do Estado (Fepnes+ Diversidade) lança nesta quarta-feira (15) às 19 horas no seu canal do Youtube o documentário Pororoca, a força das águas.

Ele foi idealizado por Luciana Ciríaco Souza, 47 anos, a Baiana, que mora em Itaipava há 17 anos. Tataraneta de Manoel Ciríaco, que lutou na Guerra de Canudos com Antônio Conselheiro, como faz questão de ressaltar. A direção é da produtora cultural Ivny Matos.

Baiana conta que desde  muito jovem sempre foi fascinada pelo cinema e que quando se tornou adolescente participava nas chamadas dos programas de rádio só para ganhar ingressos para assistir aos filmes. E que tem como hobby o cinema e a fotografia, mas analógica, daquela que precisa ser revelada.

Na adolescência já escrevia poesias e relatava suas vivências através da escrita, e todos os relato envolviam relações afetivas e os conflitos e problemas que sofreu, como o abuso sexual na infância.

Segundo ela, o documentário trata da vida de mulheres trans com histórias muito tocantes. Uma delas  chegou a se internada num manicômio pela família em função da orientação sexual.

Ela diz que quando foi divulgado que o Brasil era um dos países que mais mata mulheres trans, e nesse recorte mulheres pretas, viu que era extremamente necessário tirar os escritos e projetos do papel.

“Era hora dessas mulheres terem voz, visibilidade e dizerem que elas são serem humanos. Me emociono porque as histórias são muito correlatas com a minha história de sofrimentos, preconceito e discriminação”, enfatiza.

Baiana enfatiza que a exclusão envolve a questão do emprego que a pessoa não encontra por causa do estereótipo e da orientação sexual, as políticas públicas que não são implementadas da forma que deveriam, a falta de organismos de controle social para jovens pretos e pretas, mulheres e homens trans e para toda a população preta.

Ela destaca que é preta, nordestina, bissexual e agora gorda, e que é muito feliz com o que  faz porque  não é por questão financeira, mas como missão, e que outras histórias estão pré-produzidas, inclusive o relato de sua vida, que não sabe ainda se será um documentário ou um livro.

Baiana ressalta que tudo no Pororoca tem a ver com sua vida quando faz esse enfrentamento de sair das águas de Oxum e ir calmamente se encontrar com Iansã no mar com aquela revolução toda.

“Sabendo que vou me chocar com o sal e com o mar para chegar onde queremos chegar, que é num lugar de  respeito. Queremos conquistar nosso lugar de fala, ser quem queremos ser e ocuparmos os lugares que queremos”. destaca.

Baiana lembra que querem respeito sem ter que ficar fazendo  recortes por causa de “a” e “b”, que pensa isso e aquilo.

“Ainda existem relações fragmentadas. Mas a vida segue. Apesar de todos os empecilhos que encontramos pelo caminho a gente continua seguindo o fluxo. Enfrentando e se transformando diariamente. É isso que o documentário mostra. A gente faz o enfrentamento para o rio chegar no mar e dar visibilidade às nossas ondas”.

O documentário será exibido de forma presencial para as pessoas que contaram suas histórias e participaram da produção no Espaço Cultural Dona Música, também na noite desta quarta-feira

 

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