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Leia Mulheres: Perpétua

olivia-15-08-2023
Olivia Batista de Avelar

Sento-me para escrever o último artigo do Projeto Leia Mulheres, iniciado em março de 2023. Autoras de todo o Brasil inscreveram seus livros. Selecionei as cinco obras participantes com muita alegria e uma pontada de dor: eram tantos os livros que eu gostaria de ler e escrever sobre! Porém, mesmo que eu pudesse me dedicar integralmente a ler escritoras brasileiras contemporâneas, ainda me faltariam horas no dia para dar conta de tantas histórias fascinantes, reais e ficcionais, poemas arrebatadores, contos e crônicas cujas linhas me apresentariam uma visão de mundo única e a qual eu jamais teria acesso, não fossem as palavras e o talento dessas autoras.

Organizei a leitura dos livros que escolhi pela ordem em que eles me foram entregues, pelo correio. Enviados pelas próprias autoras, o tempo de envio, translado e chegada até minha casa traçou minha jornada literária. Não alterei essa ordem, foi o acordo que fiz comigo mesma. Quis o destino que o último livro a ser lido fosse Perpétua – de Maggie Paiva, Editora Ella (Produção), com publicação independente, 2022. Moro em Cachoeiro de Itapemirim, ES, e o exemplar que recebi viajou desde o Ceará, o mais distante estado das autoras que integraram o projeto. Perpétua também é um livro sobre distâncias, sobre idas e vindas, entre o Ceará e o Pará, de uma, entre as muitas famílias brasileiras que atenderam ao chamado do governo do general Emílio Garrastazu Médici, e decidiram buscar a “terra sem homens” prometida, tomando a Rodovia Transamazônica e partindo do nordeste para o norte do Brasil.

Existem muitos “Brasis” dentro do nosso país. “Isto somos, descendentes miúdos de audazes pioneiros das agruras, virados capiaus geralistas desses carrascais do Acaba-Mundo. Imprevidentes, sem ouros, agora vendemos os ferros da morraria e tocamos fogo na mataria. Disto agora vivemos, queimando os verdes para fazer carvão. Fundindo pobres ferros de exportação”. As palavras de Darcy Ribeiro são a verdade, a realidade, a história e a vida dos personagens reais, retratados na reportagem de Paiva. Perpétua, mulher que dá titulo ao livro, é uma entre tantas que tiveram seu destino atravessado pela seca, pelas promessas governamentais de expansão, pela explosão do garimpo, na década de 80, pelas águas caudalosas dos rios do norte, pela busca por dignidade e terra fértil para fincar raízes, cuidar da família e fazer florescer a felicidade.

Durante toda a leitura, um pensamento: são as escritoras mulheres que devem narrar as histórias de outras mulheres. Não que os homens não sejam aptos para tal, mas porque sentimos e pressentimos com real agudeza o que outras vivem e viveram. Porque somos essa caixa de amplificação, lançando luz ao que não chama a atenção e não toca o coração dos autores. Somos nós por nós. Terminado o livro, folheei as páginas e observei as fotos, mapas e ilustrações. Um país que não conheço. Rostos e paisagens que, talvez, nunca encontrarei. As embarcações de madeira, as redes, a vegetação, a trama da vida tão maior que a ficção. Que existam mais e mais autoras dispostas a narrar o que não tem voz e a contar o que, facilmente, pode ser esquecido.

São muitas as comparações sobre a relação entre os livros e os leitores. Se nos pensarmos como viajantes, Perpétua, de Maggie Paiva, nos descortina o passado recente de uma região e nos leva para um outro tempo, distante e inalcançável, mas que ainda se perpetua no hoje, reflexos de um país em constante desordem e fragmentação. Para aqueles que, como eu, pouco conhecem do Brasil, a obra nos presenteia com paisagens arrebatadoras de se imaginar e sentir – seja estrada afora ou pelo rio, os caminhos da vida são destemidos e incontroláveis, assim como a vontade das mulheres que construíram e constroem nosso país, seja com a força dos braços e da fé, seja com a audácia do amor pela escrita.

 

Sobre o Livro

Quando Perpétua se mudou para o Pará com o marido e os filhos, ela colocou suas pegadas em uma importante parte da história do Brasil. Ela ainda escreveria a própria história em terras que cresceriam entre aberturas de rodovias e garimpos. Uma história de suor, luta, força, perdas, tentativas, amor, desprendimento, finais e uma fé inabalável nas oportunidades que a vida dá para recomeços. Tanto que, quando chegou o momento de arriscar tudo novamente para voltar para casa e se jogar em um futuro desejado, mas incerto, ela foi. Ali, o encontro com o barco a motor Jolú talvez já estivesse escrito nas páginas do que viria. A embarcação aportava no horizonte da vida da cearense e, inevitavelmente, de todas as outras pessoas ligadas a ela, mesmo aquelas que não iriam embarcar. “Perpétua” é uma história sobre a continuidade da vida e sobre as belezas ou agruras que nem sempre nos são contadas. A história de uma mulher que poderia ser sua mãe, sua tia, sua filha, sua esposa, sua irmã e que certamente foi tudo isso para muitas pessoas. Uma história que não consta nos livros que estudamos na escola, mas que, talvez por isso mesmo, merece enfim ser contada.

Sobre a Autora

Maggie Paiva é uma jornalista e escritora de 29 anos. Natural de Quixadá (CE), ela vive, hoje, em Fortaleza, com o marido e os gatos. “Perpétua” é o seu primeiro romance de não-ficção e uma de suas jornadas preferidas nesta vida. A autora, que gosta de escrever de tudo um pouco, também escreveu um livro de poemas “Quando minha cabeça estiver no espaço”, publicado em 2023 pela Editora Arpillera.

 

 

Olivia Batista de Avelar. Escritora membro da Academia Cachoeirense de Letras
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