Mulheres clamam por justiça e fazem ato contra feminicídio em Cachoeiro

Mulheres clamam por justiça e fazem ato contra feminicídio em Cachoeiro
Anete Lacerda

Mulheres cachoeirenses, através de várias entidades de defesa de direitos, familiares e amigos de Roseli Valiati Farias farão um ato de repúdio nesta quarta-feira (27) na Praça Jerônimo Monteiro a partir das 15h.

O ato foi organizado e terá participação de representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) Pedro Reis; dos movimentos feministas Coletivo Vozes Feministas (CVF) e União Cachoeirense de Mulheres (UCM); do Conselho Municipal de Direitos da Mulher (CMDM); do Coletivo de Fortalecimento e Empoderamento de Mulheres Negras do Sul do Estado (CFEMN) e do Núcleo Pedra (NP).

A manifestação será pela morte da vendedora cachoeirense, mas também por todas as outras 78 vítimas de feminicídio apenas em 2021 no Espírito Santo, 59% delas também vítimas de armas de fogo . Roseli foi assassinada e enterrada em cova rasa pelo namorado, o pecuarista Alexandre Vaz Nunes.

O irmão de Roseli Farias, Clodoaldo Valiatti, diz que ao matar sua irmã, o monstro, como ele se refere ao assassino, não fez apenas sua família sofrer, mas a cidade e todos os amigos da vítima, que estão chocados com tamanha brutalidade.

Clodoaldo diz que espera que essa manifestação seja em prol de todas as mulheres e famílias que sofrem e morrem por ações desses monstros e desses maridos que não dão apoio às mulheres.

“Nossa família hoje não está vivendo. Um chora para um lado, meu pai chora para o outro, minha esposa não consegue trabalhar eu não consigo viajar. A justiça precisa ser rigorosa. É preciso que alguém que faz isso com uma pessoa fique preso por muitos e muitos anos. Temos recebido orações e muito apoio e isso nos ajuda”.

Elizângela Altoé, representante do CDDH, diz que combater essa estrutura exige esforço de todos e debate amplo. “Por isso, os atos públicos para chamar a atenção da sociedade são tão importantes e precisam de apoio da sociedade organizada”.

Marilene Depes, presidente do Conselho de Direitos da Mulher de Cachoeiro, diz que quando uma mulher é assassinada, todas  morrem um pouco, e que nesse momento tão importante da manifestação, todas são Roseli.

Jéssica Grillo, representante da UCM, diz que infelizmente temos acompanhado o triste aumento de feminicídio aqui no Espírito Santo, principalmente na região sul do Estado, e que pela Roseli Valiati e por todas as mulheres, estará na Praça Jerônimo Monteiro.

“Na última semana acompanhamos com angústia e muita tristeza o caso da Roseli Valiati, que teve a vida ceifada pelo machismo e sentimento de posse. Por isso estaremos na praça pedindo justiça por ela e por todas as mulheres que perderam a sua vida de forma tão violenta”.

 

SAIBA MAIS
– No Espírito Santo, até 30 de setembro, 78 mulheres foram assassinadas. Em 59% dos casos de 2021, o homicídio foi por arma de fogo;

– O Brasil é um dos países em que mais mulheres são assassinadas em razão do gênero, o que caracteriza o feminicídio.

– O feminicídio na verdade é a última etapa de um série de violências que começam muito antes.
Envolve questões como o machismo estrutural enraizado na sociedade brasileira; a manifestação de desprezo pela mulher e pelo feminino; sentimento de posse; violência psicológica; dependência financeira e ultimamente o reforço de discurso de ódio generalizado e a favor do armamento.

Com o caso do feminicidio de Roseli Valiati sobem para 79 o número de mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros.

 

Relembre alguns casos

02/04 – Keila de Souza Oliveira foi atingida por quatro tiros disparados pelo marido, Lucimar de Souza Ramos, que tentou tirar a vida após o crime, mas sobreviveu. O crime ocorreu em Cachoeiro e familiares contaram que ele já havia ameaçado a mulher de morte outras vezes.

15/5- A técnica em enfermagem Leidiane Erqui Tonetti Andreão foi assassinada a tiros na frente da filha, em Castelo pelo marido O marido Wellington Denadai Andreão, que atirou contra ele mesmo e acabou morrendo após dias internado.

19/6 – Lucia Helena Coqui foi assassinada com facadas e pauladas por um homem com quem mantinha um relacionamento e não teve seu nome divulgado pelo Polícia. O motivo, segundo testemunhas, foi o fato da vitima não querer mais o relacionamento

9/7 – Juliana Moreira Rodrigues foi assassinada com golpes de pé de cabra pelo ex-marido Leonardo Maganha Dias no interior de Mimoso. Ele não aceitava o fim do relacionamento.

16/9 – Charlene de Lenis Gonçalves e a filha Isaquiele Júnia Gonçalves de apenas 10 anos foram mortas a facadas em Marataízes pelo ex-namorado Michael Prates.

25/9 – Giselly Thais Cassandra de Souza foi morta a tiros em Conceição do Castelo pelo ex-marido e pai de sua filha, cujo nome a Polícia não divulgou.

28/9 – Adriana Torrente Moreira desapareceu e seu corpo foi encontrado somente no dia 3 deste mês em um córrego, também em Conceição do Castelo. O ex-marido Brás Moreira também foi encontrado morto e a Polícia trabalha com a hipótese que ele matou a mulher e depois tirou a vida.

17/10 – Roseli Valiati Farias desapareceu após sair para se encontrar com o namorado Alexandre Nunes, com quem se relacionava desde abril deste ano. Após a policia pressionar o suspeito, no dia 20 ele confessou o crime e revelou onde o corpo estava. Ela queria terminar o relacionamento porque teria descoberto que ele teria outra namorada

Denuncie

Central de Atendimento à Mulher – ligue 180

O Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos.