Associação de Folclore de Pedra Branca quer resgate de tradições quilombolas

Associação de Folclore de Pedra Branca quer resgate de tradições quilombolas
Redação Dia a Dia

A Associação Quilombola de Pedra Branca (AQPB), em Vargem Alta, está fazendo um trabalho de resgate das tradições na comunidade, que tem cerca de 115 famílias.

Quem conta é o seu representante Fábio Ravera Lyrio, 41 anos. “Há muitos anos não tínhamos mais o caxambu em nossa comunidade. Só os mais antigos tinham uma vaga lembrança. Os mais jovens não conheciam essa cultura”, relata.

Fábio diz que após a gravação do curta metragem “A Viagem do Seu Arlindo”, rodado no local, e que foi vencedor do projeto Revelando os Brasis, a tradição foi resgatada.

“Hoje temos o grupo de caxambu Fé, Raça e um só Coração. Minha mãe é a atual mestra”, revela. Segundo conta, ela só tinha assistido à roda de caxambu quando era criança e tinha mesmo só uma vaga lembrança.

“Tem também a Jerusa (outra moradora local), que os pais cantavam quando ela era pequena, mas ela não se lembrava muito”, relata.

O representante da Associação Quilombola diz que foi preciso levar pessoas de fora da comunidade para relembrar aos moradores mais antigos sobre o caxambu. “E também para ensinar aos mais jovens que não conheciam”, ressalta.

Fábio lembra que quando a dança foi apresentada, o mais idosos lembravam de algumas letras, e que foi muito emocionante ver tudo aquilo. “As coisas da cultura funcionam, mas a base de muita luta mesmo”, destaca.

 

Defesa da cultura como tributo ao irmão

Fábio Ravera Lyrio conta que o irmão Alex Ravera Dutra era mestre do caxambu da comunidade e tocava o tambor e até participou do curta metragem “A viagem do seu Arlindo”, dirigido pela professora de Arte Sheila Altoé, que está sendo apresentado em mostras por todo o País dentro do projeto Revelando os Brasis.

O irmão participou também de reuniões com pessoas ligadas á cultura que discutiam as possibilidades dos editais de incentivo. “Uma época ele conheceu muitas pessoas  e nasceu uma amizade grande com o André Messias. Eu e ele conversamos mais de ano sem nos conhecer”, relata.

Segundo ele, foi  essa pessoa  que apresentou os editais da Secretaria de Cultura (Secult). “Fizemos o primeiro projeto em parceria e ficamos como suplentes na disputa”, explica.

Segundo ele, o projeto foi baseado no 1º Festival de Caxambu de Pedra Branca. “Aquilo foi uma experiência nova”. Fábio Ravera diz que após a suplência, logo depois apresentaram outro projeto, dessa vez baseado no 1º Festival de Artes Integradas do Caxambu de Pedra Branca, que foi aprovado.

“Para nossa surpresa, recebemos a notícia que no primeiro projeto deixamos a suplência e fomos classificados. Infelizmente na noite que tivemos essas duas boas notícias, o meu irmão foi assassinado”, lamenta.

Fábio destaca que mesmo com a perda do seu irmão fez uma reunião falando do projeto e perguntou ao pessoal do grupo de caxambu o que achavam. Se deviam continuar ou desistir. “Elas me deram muita força para continuar”.

Fábio conta que este projeto previa, além das oficinas de instrumentos musicais, a de artesanato em palha de bananeira, que ensinou os moradores a fazerem bolsas e chaveiros.

O representante da Associação de Folclore

diz que pegou a missão do resgate da cultura e tradição iniciada pelo irmão para ele. “Continuo fazendo os projetos e ajeitando a agenda do grupo”, enfatiza.

Ele acredita que onde o irmão estiver vai estar feliz por dar continuidade ao que ele sempre sonhou. “Infelizmente o que falta é o espaço e apoio do nosso município”.

Fábio Ravera diz que a comunidade de Pedra Branca é um ponto de resistência da cultura. “É uma coisa tão bonita que me emociona, sou suspeito para falar, mas vou continuar fazendo isso sempre lembrando do meu irmão e da vontade que ele tinha de fazer e ver as coisas acontecerem por aqui”.

O quilombola conta que já conversaram com a Secretaria de Educação e que a intenção é trazer de volta cada vez mais  crianças.

“Colocamos projeto de capoeira que ficou três meses no município. Há uma resistência da própria comunidade. A gente faz ensaio, apresentações e ainda tem gente que puxa para trás. Mas nós vamos vencer”.

 

 

 

 

 

 

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